Frio e umidade dividem o cenário agrícola no Paraná
Enquanto milho sofre com atraso e risco de geada, plantio de trigo e cevada avança com excelentes condições no estado

A chegada mais intensa do inverno paranaense desenhou cenários opostos para a agropecuária do estado ao longo da última semana. O monitoramento de campo realizado entre os dias 16 e 22 de junho revela que, se por um lado as baixas temperaturas e o excesso de umidade na terra travaram o ritmo da colheita e acenderam o alerta para geadas nas safras de verão e segunda safra, por outro, criaram o ambiente ideal para o estabelecimento dos grãos de inverno. As informações são do Boletim de Condições de Tempo e Cultivo do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta terça-feira (23).
De acordo com o levantamento técnico, os primeiros dias do período foram marcados por uma massa de ar frio que derrubou as temperaturas nas madrugadas das regiões Sul e Leste, com tardes ensolaradas no Norte e Oeste. O padrão de forte amplitude térmica e a ocorrência de pancadas de chuva isoladas no final de semana mexeram diretamente com a rotina operacional das propriedades.
PROBLEMAS NAS CULTURAS
O milho segunda safra é a cultura que exige maior atenção no momento. Com 79% das áreas em boas condições, 14% em situação média e 7% ruins, o cereal sofre com a falta de luz solar e o excesso de umidade, que provocaram atrasos no ciclo e pontos de estagnação no desenvolvimento.
Atualmente, 58% do milho está em fase de frutificação e 40% em maturação. A colheita começou, mas caminha em ritmo lento e limitado por causa da alta umidade dos grãos. A grande preocupação dos técnicos e produtores é o risco iminente de geadas severas, que podem atingir as plantações justamente nesta fase de enchimento de grãos, que é altamente sensível a perdas.
Cenário semelhante de lentidão afeta o café e a cana-de-açúcar. 100% do parque cafeeiro paranaense está em fase de maturação, mas o frio desacelerou o amadurecimento dos grãos nas áreas mais geladas, tornando a colheita gradual e a comercialização lenta. Já os produtores de cana conseguiram retomar os cortes e o plantio de novos talhões apenas no fim da semana, após interrupções forçadas pelas chuvas.
Na contramão, a colheita do feijão segunda safra já está virtualmente encerrada, atingindo 97% das áreas. O balanço final aponta perdas localizadas de produtividade e qualidade provocadas por excesso de chuvas, problemas sanitários e geadas anteriores (como as registradas no município de São Mateus do Sul). Como resultado da oferta mais restrita de grãos padrão tipo 1, o mercado começou a registrar sinais de recuperação nos preços pagos ao produtor.
BONS RESULTADOS
Se o clima frio e úmido é um obstáculo para a colheita, para o trigo e para a cevada ele tem sido o cenário perfeito. O plantio do trigo atingiu 93% da área estimada no Paraná, impulsionado por um status sanitário impecável: 99% das lavouras estão em boas condições, divididas entre desenvolvimento vegetativo (84%) e germinação (10%). Apesar das ótimas perspectivas, o Deral pontua que o produtor mantém cautela na condução da área devido às oscilações de mercado e preços.
A cevada também caminha para o encerramento da semeadura, com 87% da área implantada. Beneficiada pelo clima ameno, 98% da cultura apresenta excelente desenvolvimento inicial. O relatório aponta, inclusive, uma tendência de expansão de área para a cultura neste ano, estimulada por contratos firmados de forma antecipada com a indústria cervejeira.
A aveia segue pelo mesmo caminho de sucesso, com plantio em fase final, bom estabelecimento de estande e baixa pressão de pragas. Por fim, o setor pecuário também colhe bons frutos deste inverno úmido. As pastagens do estado registraram forte recuperação nas últimas semanas, garantindo volume de alimento suficiente para suprir as demandas dos rebanhos de corte e de leite.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Alerta no milho safrinha: O excesso de umidade e a baixa luminosidade atrasaram o ciclo do milho 2ª safra e limitaram o início da colheita. Com 58% das lavouras ainda em fase suscetível de frutificação, há forte preocupação com o risco de geadas.
- Sucesso nos grãos de inverno: O clima frio favoreceu o estabelecimento do trigo (93% plantado, com 99% das lavouras em boas condições) e da cevada (87% plantado e 98% em situação boa), que registra inclusive expansão de área por estímulo de contratos industriais.
- Retas finais e balanço: A colheita do feijão de segunda safra chegou a 97% com perdas históricas por geada e umidade, o que reduziu a oferta e começou a elevar os preços no estado; já o café e a cana operam em ritmo lento devido às condições climáticas da semana.





















