Fibromialgia: especialista alerta para importância de comprovar limitações na busca por benefícios
Fisioterapeuta forense explica como pacientes podem fortalecer pedidos junto ao INSS e destaca que apenas o diagnóstico médico nem sempre é suficiente para garantir direitos

A fibromialgia é uma condição que afeta milhões de brasileiros e pode provocar dores intensas, fadiga, alterações no sono e limitações significativas nas atividades do dia a dia. Apesar de ser amplamente conhecida, muitos pacientes ainda enfrentam dificuldades para obter diagnóstico, tratamento adequado e até mesmo acesso a benefícios previdenciários.
Em entrevista ao Portal aRede, o fisioterapeuta forense Maurício Garcia explicou como a doença impacta a vida dos pacientes, quais são os principais desafios enfrentados por quem busca auxílio junto ao INSS e qual é o papel da fisioterapia forense na comprovação das limitações causadas pela síndrome.
A chamada "doença invisível"
Segundo Maurício, a fibromialgia é considerada uma síndrome dolorosa caracterizada por dores generalizadas que podem surgir em diferentes regiões do corpo, além de sintomas como fadiga intensa e alterações no sono. "A fibromialgia é conhecida como uma síndrome dolorosa onde a pessoa tem uma dor generalizada. Essa dor pode mudar de posição e é uma patologia altamente limitante. Os principais sintomas são fadiga, problemas com sono e dores que muitas vezes são insuportáveis", explica.
O especialista destaca que a doença costuma ser chamada de "doença invisível" justamente pela dificuldade de confirmação através de exames convencionais. "Não existe um exame simples que confirme a fibromialgia. São vários fatores que precisam ser analisados, além dos sintomas. É necessário reunir informações de diferentes profissionais para conseguir elucidar corretamente o diagnóstico", afirma.
Impactos na rotina e na vida social
Além da dor constante, a fibromialgia pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
De acordo com Maurício, as limitações começam em atividades consideradas simples, mas que passam a exigir um esforço muito maior. "Uma atividade como ir ao supermercado pode se tornar extremamente pesada. A pessoa sente dores, cansaço, não consegue carregar peso e vai reduzindo gradativamente sua capacidade funcional."
O fisioterapeuta ressalta ainda que o isolamento social e os impactos emocionais são frequentes. "Muitas vezes essa pessoa deixa de participar de atividades sociais, passa a ficar mais isolada e isso acaba afetando também o psicológico. Casos de depressão são bastante comuns entre pessoas diagnosticadas com fibromialgia."
Nova legislação amplia acesso a benefícios
Maurício lembra que uma alteração legislativa passou a reconhecer pessoas com fibromialgia como pessoas com deficiência, ampliando a possibilidade de acesso a determinados direitos e benefícios. "Hoje, os portadores de fibromialgia podem ter acesso a benefícios relacionados ao INSS, como auxílio-doença e outras modalidades de afastamento. Mas o mais importante é comprovar funcionalmente o quanto a doença afeta a vida daquela pessoa." Segundo ele, essa comprovação é justamente o ponto em que muitos pacientes encontram dificuldades.
O erro mais comum ao procurar o INSS
Para o especialista, um dos principais equívocos cometidos pelos pacientes é acreditar que apenas o diagnóstico médico será suficiente para comprovar a incapacidade. "O principal erro é procurar o benefício apenas com documentos médicos e atestados. O diagnóstico é fundamental, mas ele não demonstra o quanto aquela doença afeta a capacidade funcional da pessoa."
Maurício explica que a avaliação precisa demonstrar de forma objetiva como a fibromialgia interfere na rotina do paciente. "O perito precisa entender quais limitações essa pessoa possui. Limitações de força, de marcha, de movimentação, o nível da dor. Tudo isso precisa estar documentado."
O papel da fisioterapia forense
É justamente nesse contexto que entra a atuação do fisioterapeuta forense. Diferentemente do fisioterapeuta clínico, que atua no tratamento e reabilitação, o profissional da área forense realiza avaliações voltadas à produção de provas técnicas. "Nós fazemos avaliações para identificar a condição funcional da pessoa e transformar isso em números. O objetivo é elaborar um laudo físico-funcional que possa ser utilizado em processos administrativos ou judiciais."
Segundo Maurício, esse documento é capaz de quantificar as limitações do paciente. "Conseguimos apresentar, por exemplo, que uma pessoa possui determinada redução de força muscular, comprometimento da marcha ou outras limitações funcionais. Isso facilita o entendimento do perito e do juiz."
Como a dor pode ser comprovada
Uma das dúvidas mais frequentes entre pacientes é como transformar uma sensação subjetiva, como a dor, em uma prova técnica.
Para o fisioterapeuta, a resposta está na análise dos impactos físicos que a dor provoca. "A dor realmente é algo muito pessoal, mas nós utilizamos ferramentas científicas para quantificá-la. Uma pessoa que sente dor intensa normalmente reduz suas atividades, perde força muscular, apresenta atrofias e alterações funcionais. Tudo isso pode ser medido e documentado."
Ele explica que a avaliação considera diferentes fatores para demonstrar o comprometimento funcional. "Com a diminuição de força e outras alterações físicas, conseguimos fazer uma correlação entre a dor relatada e os prejuízos reais que ela causa no desempenho daquela pessoa."
Orientação pode evitar disputas judiciais
Maurício destaca que buscar orientação especializada ainda na fase administrativa pode aumentar as chances de aprovação do benefício sem necessidade de recorrer à Justiça. "Quando a pessoa leva um laudo físico-funcional já na primeira perícia do INSS, as chances de êxito aumentam muito. Muitas vezes isso evita que o processo precise avançar para a esfera judicial."
Por fim, ele reforça a importância de que pacientes com diagnóstico ou suspeita de fibromialgia busquem orientação adequada e conheçam seus direitos. "É fundamental que as pessoas procurem informação. Quanto mais bem documentada estiver a condição funcional do paciente, maiores serão as chances de garantir os direitos previstos em lei", conclui.
Confira um resumo da notícia:
Fibromialgia pode causar limitações severas: Conhecida como "doença invisível", a condição provoca dores generalizadas, fadiga, problemas no sono e pode comprometer atividades simples do cotidiano, além de impactar a saúde emocional e a vida social dos pacientes.
Benefícios exigem comprovação funcional: Segundo o fisioterapeuta forense Maurício Garcia, o erro mais comum é buscar benefícios do INSS apenas com atestados médicos. Além do diagnóstico, é necessário comprovar de forma técnica como a doença afeta a capacidade funcional da pessoa.
Laudo físico-funcional fortalece processos: A atuação do fisioterapeuta forense ajuda a quantificar limitações como perda de força, dificuldades de locomoção e impactos da dor, produzindo laudos que podem aumentar as chances de aprovação de benefícios previdenciários e evitar disputas judiciais.





















