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Crise gera 800 demissões no setor metalúrgico em PG

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As indústrias do setor metal-mecânico seguem passando por baixa atividade neste início de ano. O corte de funcionários realizado em diversas empresas, de 600 pessoas nos últimos quatro meses do ano passado, foi acentuado no mês de janeiro, quando mais 174 trabalhadores do ramo foram demitidos na região, totalizando cerca de 800 postos de trabalho fechados desde setembro somente na indústria metalúrgica. Com isso, houve uma redução de aproximadamente 10% do quadro de funcionários com carteira assinado neste segmento na Região dos Campos Gerais. Isso é resultado do momento de estagnação econômica pelo qual o país passa.

“A produção está bem inferior que no início de 2014. Estamos com menos emprego que no ano passado, mais demissões que no ano passado; entramos em 2015 com menos emprego, a carga horária de trabalhadores é menor, e produção é menor e a carteira de pedidos às indústrias é bem menor”, esclarece Luiz Paulo Rover, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Ponta Grossa, e empresário do ramo. Entre os quatro segmentos do metal-mecânico, o que mais está sofrendo o impacto é o das fornecedoras de componentes automotivos (em função da redução na produção de veículos, devido à baixa demanda), seguido pela de equipamentos pesados. Apenas algumas do setor de serviços que está ‘puxando’ a produção deste setor.

Mauro Cesar Carvalho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, declara que o problema é mais acentuado em Ponta Grossa, que concentra 70% dos trabalhadores do ramo. “Em Ponta Grossa ainda temos os sintomas de 2014, tivemos 174 demissões em janeiro, o que é bem atípico. É uma atividade industrial muito forte em Ponta Grossa, e reflete mais aqui: No segundo semestre tivemos 600 demitidos, com demissões na Águia, Scheffer e Hubner. Contudo, na região, algumas empresas seguem com potencial, segurando empregos, como as que trabalham para o ramo do agronegócio, principalmente em Castro”.

Uma fábrica ponta-grossense que trabalha no setor agrícola, por exemplo, reduziu seu quadro de funcionários em quase 40% desde o final do ano passado. “Apesar de que 2014 não foi um ano satisfatório, esperamos nos manter bem no primeiro semestre, com as linhas de financiamento de 4,5% disponíveis até 30 de junho. Mas se mudar, vai cair muito e já prevemos dificuldades, trabalhamos diante de incertezas. Mesmo assim, já reduzimos nosso quadro de funcionários”, alega o gerente financeiro. Por outro lado, outras empresas vislumbram oportunidades no momento. Carlos Jabur, proprietário de uma empresa da área de refrigeração afirma que, no seu setor, não há ‘crise’.

“É algo muito sazonal. No nosso setor, de gastronomia, estamos mantendo o ritmo, com empresas mantendo investimento, como o Madero, 10 Pastéis, novos hotéis. No meu caso há rotatividade de mão de obra, então vamos ver se com o aumento do desemprego, os contratados ficam mais fixos”.

Cenário deve melhorar em 2016

De acordo com Rover, após as medidas adotadas, as perspectivas não são favoráveis para 2015, prevendo uma reação a partir do próximo ano. “A curto prazo, não temos boas perspectivas. O governo precisou buscar dinheiro no mercado e começou a encarecer o crédito, e com isso o custo aumenta e aumenta o valor de venda, aumentando a inflação. Gera a inflação para diminuir a inflação até chegar a um ponto de equilíbrio. Vamos parar de crescer e empresa vão demitir funcionários de cargos maiores”, diz. Contudo, Rover acredita que não é um quadro desesperador, que poderá ocasionar o fechamento de empresas. “As empresas estão enxugando o que podem, acertando quadro, diminuindo custos operacionais e produção, para passar essa fase de turbulência”, finaliza.

Cenário é propício para a qualificação profissional pessoal

Apesar do panorama desfavorável, o presidente do sindicato dos metalúrgicos destaca que esse pode ser um momento de grandes oportunidades para que os trabalhadores demitidos obtenham cargos melhores em breve. “É uma oportunidade de melhora profissional, de o trabalhador estar se qualificando, se preparando, porque a retomada é inevitável. É apenas uma questão de tempo, e esperamos que essa oportunidade ocorra rápido”, alega Carvalho.

Informações do Jornal da Manhã.

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