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O país onde não se pode dançar

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Tiago Bubniak

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‘O Dançarino do Deserto’, do diretor inglês estreante Richard Raymond, nasceu para ser um “filme panfletário”. Afshin Ghaffarian, o protagonista, não é um personagem fictício. Iraniano, ele desrespeitou as leis de seu país e migrou para a França após ser espancado e ameaçado de morte. Seu crime? Dançar. No Irã, a prática é proibida. O cumprimento à regra é minuciosamente vigiado pela “polícia da moralidade”. Como montou um grupo de dança clandestino e promoveu uma apresentação secreta para poucos convidados no meio do deserto, Ghaffarian acabou ganhando o status de “inimigo de Estado”.

É essa história, ambientada no contexto das eleições de 2009, com a contestada vitória de Mahmoud Ahmadinejad, que Raymond leva às telonas. O grito panfletário contra o ataque à liberdade de expressão é costurado com cenas de dança belamente coreografadas e fotografadas. A proposta é consideravelmente válida e promissora, mas o que se vê na tela não é de todo agradável. O espectador é convidado com frequência a oscilar entre a admiração e respeito à iniciativa politizada e a frustração pelo excesso de ingenuidade e melodrama no tratamento de diversas situações. O fluir do filme, em geral, é bastante simplório e convencional. Fica um quê de amadorismo na elaboração e solução dos conflitos.

Porém, na luta entre (1) a força da mensagem contra a intolerância e (2) os defeitos evidentes do filme, a primeira acaba levando vantagem. Os aspectos técnicos e narrativos do filme tornam-se menores diante da grandiosidade da proposta de fazer o mundo conhecer (ou relembrar) mais um caso de repressão de um governo contra toda uma população.

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