O universo particular de Christopher Nolan

Pode-se dizer que o diretor Christopher Nolan revisitou parte da própria filmografia para compor ‘Interestelar’, seu mais novo filme: empregou a inventividade de ‘Amnésia’, a circunspecção da trilogia ‘Batman’ e a densidade narrativa de ‘A Origem’. Misturou vigorosamente todos esses atributos e entregou uma obra capaz de dividir opiniões, mesmo abordando a típica “jornada do herói”. No caso, a do astronauta Cooper (Matthew McConaughey), que é convidado a liderar uma equipe com a missão de encontrar novos planetas para abrigar a raça humana, já que a Terra está prestes a entrar em colapso.
Muitos louvarão o uso intenso de conceitos de física e as múltiplas leituras possíveis, com direito, inclusive, a uma alusão ao bíblico “do pó viemos, ao pó voltaremos”. Em uma história falando de luta pela sobrevivência (individual e de toda a humanidade), essa inserção metafórica é emblemática. Outros, no entanto, tenderão a considerar o filme hermético.
As comparações com o recente ‘Gravidade’, de Alfonso Cuarón, nascem naturalmente em razão da semelhança temática, do investimento em questões filosóficas e do próprio fato de terem sido lançados em um intervalo de tempo relativamente curto. Mas se ‘Gravidade’ prima pela imersão dos espectadores e pelo uso sublime do silêncio, ‘Interestelar’ peca pelo oposto. O resultado é um filme verborrágico e excessivamente longo.
O roteiro tenta aproximar-se das grandes plateias com uma linha de narração focada no relacionamento de Cooper com sua família, marcada pelo transbordar das emoções. Fora isso, o que prevalece é uma profusão de conceitos sobre teoria da relatividade e, mais precisamente, os estudos do físico estadunidense Kip Thorne. Ganha destaque na trama o buraco-minhoca, uma das ideias do cientista. O fenômeno seria uma ruptura no espaço-tempo, uma espécie de atalho cósmico capaz de ligar dois pontos distantes do universo.
Se o ápice do sucesso para um filme (e seu diretor) é ser acessível ao maior número de pessoas e, ainda assim, conseguir manter densidade narrativa e sensibilidade artística, não foi dessa vez que Nolan fez uma obra grandiosa.





















