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Suspense em clima de duelo no mundo jurídico

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Tiago Bubniak

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Desde o primeiro instante em que se cruzam, no filme ‘Tese Sobre um Homicídio’, o professor de direito Roberto Bermúdez (Ricardo Darín) e seu aluno Gonzalo Ruiz (Alberto Ammann) desenvolvem uma relação baseada no duelo. Seja ele banal ou mais sério. Na primeira cena em que aparecem juntos, Gonzalo chega atrasado à aula ministrada por Roberto. O professor prega que o paradoxo dos imprevistos é que eles podem ser evitados. O aluno não deixa por menos e contra-argumenta afirmando ter previsto a irritação do mestre, mas que não pôde evitá-la. O comentário arranca risos da turma.

No decorrer de toda a história dirigida pelo argentino Hernán Goldfrid, Gonzalo e Roberto darão sequência a essa luta baseada em quem pode mais em termos de inteligência, sagacidade e atenção dispensada aos detalhes. Algo até normal no meio jurídico, não fosse por um motivo peculiar: o que está no centro da disputa é o assassinato de uma jovem no estacionamento da faculdade onde ambos se encontram para as aulas e Roberto suspeita que seu aluno é o autor do crime. Conforme amplia seu rol de indícios, Roberto vai gradualmente confirmando a tese de que Gonzalo é o assassino.

O professor mergulha em uma espiral de certeza que, a olhos alheios, pode ser encarada como obsessão. E, portanto, fonte de cegueira, digna de dúvida e de ser considerada contraponto ao ideal da busca da objetividade que se espera do direito. Tanto que uma das personagens chega a provocar Roberto: estaria ele preocupado em fazer justiça ou simplesmente devotado a provar que tem razão? Aí reside a força de ‘Tese Sobre um Homicídio’: na medida em que o suspense avança, o espectador percebe que as situações não são tão dicotômicas quanto o roteiro sugere em seu início.

Falar mais é difícil sem cair no risco de cometer spoilers. Resta dizer que a produção de Hernán Goldfrid é mais uma das tantas provas das competências técnica e artística do cinema argentino. Para ser melhor, poderia ser mais curto. A duração de quase duas horas não justifica a inserção de várias cenas que, se abolidas, deixariam a narrativa mais objetiva.

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