Nova política de saúde busca conter crise financeira e ampliar serviços
Presidente da Associação Médica de Ponta Grossa, secretária de saúde e Dr Zeca apoiam complementação financeira Estadual para corrigir defasagem da tabela federal e evitar fechamento de leitos filantrópicos nos Campos Gerais

Lideranças médicas, gestores municipais e membros do poder legislativo estão destacando a importância de uma proposta considerada fundamental para o futuro do atendimento à população na área da saúde: a implantação da Tabela SUS Paraná.
Inspirada em uma política pública bem-sucedida do estado de São Paulo, a iniciativa tem o objetivo de criar uma complementação financeira em âmbito estadual para corrigir o histórico da tabela federal do Sistema Único de Saúde (SUS), estimulando hospitais filantrópicos e santas casas a manterem suas portas abertas e a expandirem a oferta de exames e cirurgias.
De acordo com o presidente da Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG), Mário Montemór, Ponta Grossa está passando por um expressivo crescimento na construção de infraestrutura física de saúde. Entre os investimentos citados estão a expansão da segunda torre do Hospital Regional da UEPG (que ampliará a capacidade de leitos para patamares superiores aos de grandes complexos hospitalares universitários), a reestruturação total do Hospital Evangélico impulsionada pela Santa Casa de Misericórdia, e a construção do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e do Centro Especializado em Reabilitação (CER).
No entanto, o médico alerta que o grande problema da saúde pública são as doenças crônicas. “Na nossa realidade de hoje, no nosso estado, nós estamos perdendo hospitais. Os hospitais estão se fechando e o número de leitos está diminuindo e as doenças aumentando. Então a gente está nesse momento no limite. Um exemplo aqui em Ponta Grossa, é a situação do hospital Bom Jesus, que quase fechou e vive uma crise financeira”, explica Mário Montemór.

O presidente da associação médica ainda destaca que a solução para o colapso financeiro enfrentado pelas instituições de saúde é a implementação da Tabela SUS. De acordo com Montemór, a tabela federal não sofre reajustes realistas há anos, gerando uma defasagem que varia de 60% a inacreditáveis 1.000% entre o valor pago pelo Ministério da Saúde e o custo real de insumos e equipes para um procedimento cirúrgico ou exame especializado.
Para dar uma dimensão da relevância socioeconômica do setor, Montemór revelou que a atividade médica e empresarial de saúde movimenta entre R$ 160 milhões e R$ 200 milhões de reais por mês em Ponta Grossa. O aporte complementar do estado daria o fôlego financeiro necessário para que os hospitais filantrópicos pudessem gerenciar seus insumos e manter leitos ativos.
“O que a gente espera a partir de agora é a união de forças. Nós vamos conversar com todos os deputados que vierem aqui para Ponta Grossa nesse momento. Nós estamos entrando em contato com outras instituições também ao redor do estado para apoiar essa tabela. E a gente precisa da população unida também para que ela realmente aconteça. Nós demos o primeiro passo que foi construir um manifesto. Então a esperança é muito grande, mas a gente depende do apoio da população e depende também que os políticos abracem a ideia”, finaliza Montemór.

Meta principal é quebrar ciclo de endividamento
A secretária municipal de Saúde de Ponta Grossa, Liliam Brandalise, defende que a criação da tabela SUS é o único mecanismo capaz de romper o ciclo de endividamento crônico da rede prestadora. Em entrevista ao Portal aRede, a secretária contextualizou o impacto humano dessa defasagem financeira.
"A implantação ou ampliação de tabelas complementares ao SUS no Paraná é vital para diminuir a defasagem histórica entre o custo real dos procedimentos e o repasse federal. Os valores enviados pelo Ministério da Saúde não cobrem os custos de insumos, equipamentos e equipes médicas: essa condição prejudica os hospitais, além dos prestadores de consultas e exames especializados, pois seus custos são extremamente altos”.
Além disso, a secretária destaca que com um complemento em âmbito estadual, serão menores as possibilidades das instituições acumularem déficits e fecharem leitos; ou seja, com uma remuneração justa, a rede privada e filantrópica é estimulada a absorver a demanda reprimida, agilizando procedimentos como consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas. “Em paralelo, os hospitais que realizam a maior parte do atendimento de urgência e emergência no SUS poderão manter seus plantões ativos com mais segurança, pois hoje há uma dificuldade significativa para manter plantonistas em atividade, muito por conta da defasagem da tabela SUS atual”, explica Liliam Brandalise.
Brandalise lembrou ainda que, por estar sob a gestão do Estado, a contratação e regulação de leitos hospitalares e exames especializados para os pacientes de Ponta Grossa dependem diretamente da Secretaria de Estado da Saúde (SESA). “Com a implantação de uma Tabela SUS no Paraná, a SESA poderá melhorar o valor pago aos hospitais e prestadores de serviço, permitindo que os pacientes sejam atendidos com maior rapidez e motivando novos profissionais a abrirem suas agendas ao SUS, diminuindo assim o tempo de espera nas filas”, finaliza a secretária.

Articulação técnica merece respaldo
No poder legislativo, a proposta também ganha força. O vereador Dr. Zeca manifestou seu apoio integral e irrestrito à articulação técnica das entidades, ressaltando o papel da representação parlamentar em blindar o direito à saúde de qualidade. O parlamentar destacou a urgência de uma união de forças que vá além das divisões partidárias.
"Como vereador, apoio iniciativas que fortaleçam a saúde pública e garantam melhores condições de atendimento à população. A proposta da Tabela SUS Paraná é uma alternativa importante para corrigir a defasagem dos repasses do SUS, oferecendo mais sustentabilidade aos hospitais e santas casas. Agora, é fundamental unir esforços entre poder público, entidades e sociedade para que essa proposta avance e traga benefícios concretos para os paranaenses."





















