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Entidades de PG se mobilizam para salvar hospitais

AMPG e Acipg acionam Alep por aporte financeiro na saúde pública do Estado. Iniciativa busca replicar modelo adotado em São Paulo

A implementação da Tabela tem o objetivo de implementar um sistema de complementação financeira destinado aos hospitais filantrópicos e beneficentes que atendem pelo SUS
A implementação da Tabela tem o objetivo de implementar um sistema de complementação financeira destinado aos hospitais filantrópicos e beneficentes que atendem pelo SUS -

Julia Sansana

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A criação da chamada Tabela SUS Paraná, proposta defendida conjuntamente pela Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG) e pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), ganhou força com o encaminhamento de um pedido formal à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O documento solicita apoio dos deputados estaduais para a implantação de um sistema de complementação financeira destinado aos hospitais filantrópicos e beneficentes que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios da saúde pública brasileira: a defasagem dos valores pagos pela tabela nacional de procedimentos do SUS. Segundo as entidades, os recursos atualmente repassados pelo governo federal não acompanham a evolução dos custos hospitalares, da inflação médica e do preço de insumos utilizados diariamente pelas instituições de saúde.

No documento encaminhado ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi, a AMPG e a ACIPG destacam que os hospitais filantrópicos representam um dos pilares da assistência hospitalar paranaense, sendo responsáveis por mais da metade dos atendimentos hospitalares de média complexidade e por uma parcela significativa dos procedimentos de alta complexidade realizados no Estado.

Entre os serviços mais impactados pela defasagem financeira estão atendimentos considerados essenciais para a população, como hemodiálise, terapia intensiva, cirurgias de alta complexidade, procedimentos cardiovasculares e tratamentos oncológicos. Em muitos casos, os custos efetivos para realização desses procedimentos são significativamente superiores aos valores pagos pela tabela federal.

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A proposta 

A proposta apresentada pelas entidades prevê a criação de uma tabela estadual complementar, nos moldes do modelo já adotado pelo Estado de São Paulo. Nesse sistema, o governo estadual realiza aportes financeiros adicionais para complementar os valores pagos pelo SUS, reduzindo o déficit operacional enfrentado pelas instituições conveniadas.

Para os representantes da área médica e do setor produtivo, a medida é fundamental para garantir sustentabilidade financeira aos hospitais e assegurar a continuidade dos serviços prestados à população.

Nos Campos Gerais, o debate possui relevância especial devido à importância regional de instituições como a Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, referência para dezenas de municípios. A entidade atende milhares de pacientes pelo SUS e participa de projetos estratégicos de ampliação da capacidade hospitalar da região.

De acordo com o documento, a falta de atualização dos repasses compromete investimentos em infraestrutura, aquisição de equipamentos, ampliação de leitos e contratação de profissionais especializados. A consequência direta é a pressão sobre os serviços de saúde e o aumento das dificuldades para atender a crescente demanda da população.

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Mudanças 

A implantação da Tabela SUS Paraná poderia representar uma mudança significativa nesse cenário. Entre os principais benefícios apontados pelas entidades está o fortalecimento financeiro dos hospitais filantrópicos, permitindo maior previsibilidade orçamentária e melhores condições para planejamento de médio e longo prazo.

Para os usuários do SUS, os ganhos esperados incluem a ampliação da oferta de consultas, exames e procedimentos, redução das filas de espera para cirurgias eletivas, fortalecimento dos serviços de urgência e emergência e melhoria da qualidade assistencial.

Outro impacto relevante seria a manutenção de serviços de alta complexidade em cidades-polo como Ponta Grossa. Com recursos complementares, hospitais poderiam ampliar sua capacidade de atendimento, reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para outros centros e oferecer maior resolutividade dentro da própria região.

A proposta também beneficia diretamente os profissionais da saúde. Com instituições financeiramente mais equilibradas, torna-se possível investir na qualificação das equipes, modernização tecnológica e melhoria das condições de trabalho, fatores que refletem na qualidade do atendimento prestado aos pacientes.

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Além da saúde

A participação conjunta da AMPG e da ACIPG demonstra que a discussão ultrapassa os limites do setor da saúde. Para as entidades, hospitais fortes e financeiramente sustentáveis exercem papel fundamental no desenvolvimento econômico e social das cidades, gerando empregos, movimentando a economia regional e contribuindo para a qualidade de vida da população.

Além disso, a manutenção de uma rede hospitalar estruturada fortalece a capacidade de resposta do Estado diante de situações de emergência sanitária e amplia a segurança assistencial para milhões de paranaenses.

No pedido encaminhado à Assembleia Legislativa, as entidades defendem que a matéria possui caráter urgente e de relevante interesse público. O objetivo é sensibilizar deputados estaduais e o Governo do Paraná para a construção de uma política permanente de financiamento complementar, capaz de garantir maior equilíbrio econômico às instituições filantrópicas e assegurar a continuidade dos serviços prestados pelo SUS.

Caso avance, a Tabela SUS Paraná poderá representar um dos mais importantes instrumentos de fortalecimento da rede hospitalar filantrópica do Estado, criando condições para ampliar atendimentos, modernizar estruturas e oferecer serviços de saúde mais eficientes e acessíveis à população paranaense

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