Julgamento do 'Caso Rodrigo' começa na próxima segunda

Os três acusados da morte do empresário Rodrigo Carneiro começam a ser julgados na próxima segunda-feira (23) às 13h30 no 2ª Vara Criminal do Fórum de Ponta Grossa. Rodrigo morreu depois de ser agredido em uma confusão na região central da cidade em março do ano passado - a briga foi flagrada pelas câmeras de vigilância da Secretaria Municipal de Segurança e Cidadania e as imagens deverão ser usadas como provas no Tribunal.
A expectativa é que nessa primeira audiência de instrução 22 pessoas sejam ouvidas - o que deve fazer com que a audiência se prolongue por horas. A defesa busca evitar que o caso seja levado ao Júri Popular.
Acusados em liberdade
Rafael Zito Silva, Eder Fabiano Maior e Dario de Almeida Junior foram denunciados pelo Ministério Público pelo crime de homicídio qualificado - os três acusados respondem em liberdade. A defesa dos réus aposta em um laudo do Instituto Médico Legal (IML) para comprovar a inocência dos rapazes.
César Gasparetto defende os réus Rafael e Éder e acredita que ambos não tiveram nenhuma participação na morte de Rodrigo. "Vou buscar a inocência dos meus clientes. Nenhum deles teve qualquer ligação com a morte da vítima", contou o delegado. Gasparetto afirma que o laudo do IML comprova que a morte de Rodrigo foi provocada pelo socorro "inadequado" prestado pelos amigos das vítima.
Defesa acredita em lesão corporal
O advogado Willyan Laranjeira acredita que o caso tenha que ser tratado como uma tragédia e não como um assassinato. Laranjeira representa Dario de Almeida e argumenta que o que houve foi sim uma lesão corporal seguida de morte e não um homicídio. "O que as imagens mostram é uma briga. Assim que o Rodrigo cai no chão, todos se afastam dele. Não há intenção de matá-lo", conta o advogado.
Advogados da família dizem que laudo não inocenta os acusados
Os advogados Fernando Madureira e Ângelo Pilatti Junior, que defendem os interesses da família de Rodrigo Carneiro da Silva, consideram “fantasiosa”a versão apresentada ao portal aRede pela defesa dos réus, formada pelos advogados César Gasparetto e Willyan Laranjeira. Para Madureira, que atua como assistente do Ministério Público no caso, o laudo do IML não inocenta os acusados da morte de Rodrigo, ocorrida no dia 24 de março, na esquina das ruas Saldanha Marinho e Balduíno Taques.
Madureira apresenta o laudo do exame da vítima, aonde consta “contusão com hematoma na região frontal esquerda com ferida de pele horizontal de mais ou menos 5cm; contusão com hematoma na região occipito-cervical à direita com aumento de volume até a base da orelha direita e no terço médio posterior da coluna cervical; flacidez articular na coluna cervical superior com hiperextensão da flexão da coluna cervical; mobilidade anormal e crepitação da coluna cervical alta”. A conclusão do laudo é que a morte de Rodrigo foi produzida por fratura de coluna cervical alta.
Família pede punição
Desde o começo das investigações, familiares e amigos de Rodrigo pedem rigor nas investigações sobre o caso. Para o irmão do empresário, Ângelo Carneiro da Silva, Rodrigo só foi morto porque não reagiu a agressão e porque os agressores foram covardes com a vítima.
Briga teria começado após ofensa racial
Outro ponto levantado mais uma vez pela defesa foi que a confusão teria sido motivada por uma ação racista de Rodrigo. O advogado que defende Dário de Almeida, Willyan Laranjeira, afirmou que Rodrigo se negou a apertar a mão do acusado. “Várias testemunhas confirmam que Rodrigo disse que não apertava a mão de preto”, contou Laranjeira.
Já para Fernando Madureira, advogado que representa a família de Rodrigo, as acusações de racismo são “vãs e vazias”. “Ele [Rafael] é réu no caso e a vítima morreu. A prova cabal contra eles são as imagens que aparecem os três batendo e o Rodrigo sendo agredido. Nenhuma discussão anterior pode explicar o fato do meu cliente ter sido linchado em praça pública e morto”, explicou Madureira.





















