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Uma boneca envolta em mistérios

Imagem ilustrativa da imagem Uma boneca envolta em mistérios
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Daniel Petroski

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Há pouco mais de uma semana ganhou repercussão nas redes sociais uma postagem que fazia alusão à existência em Ponta Grossa de uma boneca com as mesmas características de Annabelle, um brinquedo que seria possuído por algum tipo de espírito maligno e que ganhou destaque internacional em 2013 dentro do filme “Invocação do Mal”. Em 2014, a história baseada em fatos reais, obteve mais notoriedade com o lançamento de uma produção cinematográfica que leva o mesmo nome da boneca.

Acreditando que “onde há fumaça, há fogo”, a equipe do Jornal da Manhã resolveu pegar carona na polêmica e descobriu que a boneca em questão integra o acervo do Museu Campos Gerais. Rica em detalhes, o objeto que não tem mais que um metro, possui bordado manual, sapato feito de couro com salto de madeira, túnica de veludo, touca produzida com pele de animal, além de acessórios como cinto de metal com peças que simulam uma espada e uma adaga.

“É a representação de uma mulher soldado. E não de patente baixa”, interpreta a diretora do Museu, Elizabeth Johansen. De acordo com registros do local a peça foi doada em 27 de março de 2008. “Ela foi entregue pela senhora Marion Regina Stremel, descendente de russos-alemães que se instalaram nos Campos Gerias. É uma boneca que deve ter sido confeccionada no período czarista. Por conta disso, possui mais ou menos 100 anos. Nessa época não existiam mulheres no exército russo. Isso só veio a acontecer na Revolução Russa”, explica, aguçando ainda mais os mistérios que cercam a peça.

Como se não bastasse isso, a utilização de materiais nobres na sua confecção fazem com que inúmeros pontos de interrogação surjam na mente de quem já ouviu falar da boneca. “É uma peça da elite. Digo isso pela quantidade de materiais nobres que foram usados. Tem uma série de elementos que nos levam a crer que não pertencia a uma classe rural ou trabalhadora, pois com certeza custaria muito caro”, complementa. O detalhamento da peça também chama a atenção.

“A mão de obra é altamente qualificada. O material usado para fazer o cabelo é muito semelhante ao pelo humano. Possui ainda uma estrutura de metal que dá sustentação para partes do corpo como os braços e as mãos”, acrescenta Elizabeth.

Assim como Annabelle, a boneca ponta-grossense também está guardada em um quarto, ou melhor, em uma reserva técnica do Museu. “Ela fica dentro de um envelope, guardada no escuro”, comenta Elizabeth. Impressionado? Para a diretora do Museu, isso não tem nada de sobrenatural. Seria apenas uma coincidência.

Por se tratar de um objeto centenário, a peça precisa ficar envolta em um papel inerte, ou seja, um material que não ajuda e nem prejudica na conservação da boneca. Também necessita ter pouco contato com a luz, pois a falta de iluminação auxilia na diminuição da velocidade do processo de degradação. “Esses cuidados fazem parte do que a arquivologia chama de ‘Conservação Preventiva’”, esmiúça Elisabeth. Dentro do processo de conservação, uma vez por ano a peça é retirada do envelope. “Vamos verificar como está o estado de degradação. Apareceu traça? Mudou alguma coisa? Isso faz parte do trabalho preventivo”, detalha a diretora.

Devido a esses cuidados, a peça não está à disposição para visitação, mas apenas para pesquisadores interessados. “Apesar disso, desde 2009, ano que eu assumi a direção do Museu, ninguém nos procurou para saber da boneca. É um objeto raro e único no Museu”, relata.

Uma peça raríssima

Longe das polêmicas, questionada sobre qual a importância para o Museu Campos Gerais em possuir uma peça que não está exposta, a diretora, Elizabeth Johansen, levanta duas questões. “Primeiro a observação da boneca permite trabalhar vários elementos históricos. Segundo, que é um objeto trazido por russos-alemães. Eles foram um grupo extremamente importante para a imigração que se instalou na nossa região. Então, é um elemento de formação identitária”, afirma.

E a proprietária do brinquedo?

A equipe do JM procurou Marion Regina Stremel, responsável por doar a peça ao Museu. Porém, os contatos telefônicos foram sem sucesso. Nem mesmo no endereço que consta no documento de doação conseguimos encontrá-la. Parte dos mistérios da boneca foram desvendados. Porém, seguem algumas interrogações. Até quando?

Informações do Jornal da Manhã.

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