A burocracia estatal custa vidas

Essa não é a ideia do blog, mas mais uma vez acabo me envolvendo pessoalmente em um assunto (a primeira oportunidade foi a discussão de Cotas na UEPG). Dessa vez a notícia é dramática e desoladora: duas jovens da cidade de Ponta Grossa morreram em um acidente de carro na BR-277, próximo a cidade de Candói, região central do estado.
Prefiro não me ater ao fato das mortes ou das circunstâncias do acidente, já que conhecia as vítimas e tinha real apreço por elas. Mas não podemos - nem queremos - deixar de pensar que a falta de duplicação de estradas continua tirando a vida de inocentes, dia a dia. Mais uma vez, em um trecho pedagiado e de pista única, jovens morrem de maneira brutal em acidentes que poderiam ser evitados.
Infelizmente a morte de Camila Mattos (23) e Fernanda Cristina Castro (24) engrossam o número de vidas que se perdem por demoras em obras de interesse público. As duas jovens, cheias de sonhos e donas de uma alegria contagiante, perderam a vida em uma rodovia pedagiada e de pista simples (sim, daquelas estradas que nós temos que pagar para usar e continuar convivendo com riscos).
Camila e Fernanda se formavam esse ano no curso de Enfermagem da UEPG e deixaram uma vida de sonhos para trás, junto de famílias desoladas com o acontecimento. Conversei com Camila pela última vez nessa quarta-feira (04/10). Aprovada no TCC e cheia de planos para o futuro, Camila só falava das expectativas para o próximo ano e das mudanças que queria para sua vida.
Do fato trágico e desolador tiro apenas uma conclusão: a burocracia estatal custa vidas e isso não é de hoje. A duplicação desse trecho da BR-277, entre Guarapuava e Candói, é discutida há anos e sempre esbarra em questões burocráticas e contratuais. Enquanto isso pessoas perdem a vida em uma estrada perigosa e traiçoeira.
Nossa vida é frágil... frágil e valiosa. Nós, jornalistas, muitas vezes lidamos com mortes e situações dramáticas com extrema frequência. Mas quando isso nos atinge mais de perto, a dor fica clara e o valor da vida se torna cada vez mais evidente. Fica aqui a minha última homenagem a Camila e Fernanda e meu protesto contra a burocracia estatal que tira vidas todos os dias.





















