Conselheira da Causa Animal defende política pública de 'Uma Só Saúde' em PG
Conceito pautado por Érika Zanoni defende que a saúde humana, saúde animal e saúde ambiental caminham juntas em benefício de toda a sociedade

A conselheira da Causa Animal do Grupo aRede, médica veterinária e pesquisadora em comportamento e bem-estar animal, Érika Zanoni Fagundes Cunha, considera extremamente importante a mobilização das entidades de Ponta Grossa em defesa dos hospitais filantrópicos, destacando que fortalecer instituições essenciais para a população é um compromisso que deve envolver toda a sociedade.
A partir dessa reflexão, Érika defende que esse mesmo olhar também seja direcionado às instituições que atuam na proteção animal e da fauna, como mantenedoras de fauna, hospitais veterinários universitários e organizações de resgate, que exercem uma função pública relevante ao promover o bem-estar animal, a conservação da biodiversidade, a educação ambiental e a saúde coletiva.
Segundo a conselheira, reconhecer a importância dessas diferentes áreas significa fortalecer o conceito de 'Uma Só Saúde', no qual saúde humana, saúde animal e saúde ambiental caminham juntas em benefício de toda a sociedade.
Confira abaixo a opinião na íntegra da Érika, que é médica veterinária, especialista em Neurociência Clínica, mestre em Ciências Veterinárias, doutora em Zoologia e pós-doutora em Direito Animal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR):
"Hoje eu li a notícia sobre a mobilização das entidades de Ponta Grossa para fortalecer os nossos hospitais filantrópicos. E, antes de qualquer coisa, quero dizer que considero essa iniciativa extremamente importante.
Essa não é uma comparação entre pessoas e animais. É uma reflexão sobre políticas públicas. E, como conselheira municipal da causa animal, é meu dever fazer esse tipo de conexão quando um tema dialoga com a nossa área.
Os hospitais filantrópicos são essenciais para a nossa população. Atendem milhares de pessoas, complementam o sistema público de saúde e, muitas vezes, conseguem fazer muito mais do que os recursos disponíveis permitem. Todo esforço para fortalecer essas instituições merece reconhecimento. Inclusive, dentro das minhas possibilidades, também me coloco à disposição para colaborar com essa mobilização. Quando uma instituição que presta um serviço essencial precisa de apoio, acredito que toda a sociedade deve se envolver.
Mas essa notícia também me levou a refletir sobre outra realidade que conheço muito de perto.
Na área da proteção animal e da fauna, também existem instituições que exercem uma função pública extremamente relevante. Mantenedoras de fauna, hospitais veterinários universitários, organizações da sociedade civil e entidades de resgate recebem diariamente animais vítimas de maus-tratos, atropelamentos, tráfico de animais silvestres, abandono e acidentes ambientais. Essas instituições trabalham em parceria com órgãos públicos, desenvolvem educação ambiental, contribuem para a conservação da biodiversidade e ajudam a proteger a saúde coletiva.
Na maioria das vezes, fazem isso enfrentando enormes dificuldades financeiras. São profissionais, voluntários e instituições que assumem responsabilidades que beneficiam toda a comunidade.
Quando um hospital enfrenta dificuldades, todos compreendem a importância de mobilizar a sociedade para preservá-lo. Talvez possamos ampliar esse olhar e reconhecer que existem outras instituições que também prestam serviços essenciais, ainda que em áreas diferentes.
Não estou dizendo que uma causa é mais importante do que a outra. Muito pelo contrário. Acredito que uma cidade forte é aquela que compreende que saúde humana, saúde animal e saúde ambiental caminham juntas. Esse é o princípio de Uma Só Saúde, reconhecido mundialmente: cuidar das pessoas, dos animais e do meio ambiente faz parte de uma mesma política de cuidado.
Como conselheira da causa animal, acredito que nosso papel é justamente promover esse diálogo. Não criar disputas entre áreas, mas construir pontes. Defender hospitais não impede que também defendamos instituições de proteção animal. Da mesma forma, defender a fauna não diminui a importância da saúde humana.
No final, estamos falando da mesma coisa: cuidar da vida, fortalecer instituições sérias e construir políticas públicas que permitam que elas continuem exercendo seu papel.
Espero sinceramente que essa mobilização em favor dos hospitais seja bem-sucedida. E espero também que, cada vez mais, possamos desenvolver esse mesmo olhar para todas as instituições que trabalham diariamente pelo bem comum. Porque quando fortalecemos quem cuida, toda a sociedade sai ganhando".
Conselho da Comunidade
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
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