Detentos LGBTQIAPN+ também estão sendo reinseridos na comunidade?
Conselheira, advogada lembra que pessoas LGBT já sofrem com a própria aceitação da sociedade, quem dirá alguém que também cometeu algum delito
Publicado: 24/01/2026, 01:14

A conselheira da Comunidade LGBTQIAPN+ do Grupo aRede, Thaís Boamorte, questiona se as pessoas privadas de liberdade também estão sendo inseridas em projetos de ressocialização - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede. Para ela, é fundamental esse questionamento, visto que pessoas LGBT já sofrem com a própria aceitação da comunidade, quem dirá alguém que também cometeu, em algum momento da sua vida, um crime.
Confira abaixo a opinião na íntegra da Thaís, que é advogada, militante, integrante do Comitê Estadual LGBT e presidente do Conselho Municipal LGBT:
"A expansão dos projetos de inserção laboral para detentos em Ponta Grossa é uma vitória jurídica que materializa o princípio da dignidade humana previsto na nossa Constituição e na Lei de Execução Penal (LEP).
Como advogada, compreendo que o trabalho no sistema prisional é a ferramenta mais robusta para a remição de pena e, principalmente, para a quebra do ciclo de reincidência, permitindo que o indivíduo retorne à sociedade com uma profissão e autonomia financeira.
É um passo institucional necessário que coloca a nossa cidade como um exemplo de que o sistema penitenciário deve ter um caráter pedagógico e transformador, e não apenas punitivo.
Contudo, sob a perspectiva da militância LGBTQIAPN+, é fundamental questionarmos a equidade no acesso a essas oportunidades. A população LGBTQIAPN+ encarcerada enfrenta uma dupla exclusão: o estigma do crime e o preconceito de gênero e sexualidade, o que frequentemente as empurra para o final da fila em seleções de emprego, mesmo dentro do sistema.
Defendo que esses avanços em Ponta Grossa venham acompanhados de políticas de sensibilização para as empresas parceiras e de garantias de que corpos dissidentes, especialmente mulheres trans, não sejam invisibilizados. A verdadeira ressocialização só acontece quando o mercado de trabalho está preparado para acolher a diversidade sem reproduzir a violência das ruas".
CONSELHO DA COMUNIDADE
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Thaís Boamorte elogia a ampliação de projetos de trabalho para detentos em Ponta Grossa, destacando que a inserção laboral é essencial para a dignidade humana, remição de pena e redução da reincidência criminal;
- Ela alerta para a exclusão da população LGBTQIAPN+ no sistema prisional, que sofre dupla discriminação: pelo crime e pela identidade de gênero ou orientação sexual, ficando muitas vezes fora das oportunidades;
- A conselheira defende políticas de inclusão e sensibilização das empresas, para que a ressocialização seja realmente transformadora e preparada para acolher a diversidade.
VEJA MAIS OPINIÕES SOBRE O ASSUNTO
- Sistema prisional tradicional funciona como um meio de cultura tóxico;
- Setor privado é estratégico para reinserir detentos na comunidade;
- Ressocialização de detentos deve ser contínua e não acabar após fim da pena;
- Trabalho é o fator principal para ressocializar presos na comunidade;
- UEPG é fundamental em projetos para ressocializar detentos.




















