Escolas da região recebem cartilha com memórias de moradores do Quilombo Sutil
A edição revisitada e ampliada do material vai servir como instrumento fundamental aos professores e equipes pedagógicas no letramento racial de estudantes

A cartilha educativa A Glória do Meu Quilombo chega até os colégios da rede pública do Paraná, nos Campos Gerais. Composta por 16 páginas, o material traz novos olhares sobre a história do Quilombo Sutil, em Ponta Grossa, e a trajetória de vidas de quem faz do seu corpo, também território. “A cartilha é mais um capítulo do projeto criado para contar a história do meu pai, seu Wilson Ferreira, e do território quilombola da Colônia Sutil. Aqui você vai acompanhar não só a trajetória dele, mas também as memórias de outros moradores da comunidade”, comenta Ligiane Ferreira.
A edição revisitada e ampliada do material vai servir como instrumento fundamental aos professores e equipes pedagógicas no letramento racial de estudantes e no fortalecimento do movimento antirracista na comunidade escolar da região. Dezessete escolas que compõem o projeto A Glória do Meu Quilombo – A Importância de Carolina Maria de Jesus, em seis municípios, receberam o material criado por educadoras populares e multidisciplinares. A equipe também esteve presente nos encontros com os estudantes e professoras(es), que nesta edição passou pelos municípios de Castro, Piraí do Sul, Palmeira, Tibagi, Imbituva e Carambeí.
Em Castro, a professora Gisele de Paula do Colégio Major Vespasiano Carneiro de Mello, afirma que a palestra e o material de apoio ajudam a fomentar reflexões sobre o tema e contribuem para o debate sobre a origem do Brasil, “por vezes camuflada nos livros didáticos”.
A professora disse que “quando entendemos a nossa história, temos condições de seguir com ela e dar um rumo mais significativo para aquilo que pretendemos fazer. Os colégios precisam cada vez mais desses momentos para entender que o que foi vivido lá atrás pelos escravizados, ainda reflete hoje. Os negros ainda têm dificuldade de conquistar seu espaço e lutar contra o racismo e o preconceito. A escola é o lugar ideal para trabalhar essas pautas e trazer essa conversa para o dia a dia. Ficamos muito gratos com a equipe que veio nos falar. Agradecemos de coração”.
A aluna Laura disse à equipe do projeto que a palestra foi muito importante. Para a jovem, trazer essa pauta para dentro da escola faz com que os alunos conheçam a história do país sob a abordagem afrocentrada, facilitando o entendimento sobre como o modelo escravocrata influencia na atualidade. “Entendemos o quanto o racismo estrutural está presente na escola, no país e em todos os lugares, e como isso afeta o trabalho e o desenvolvimento de pessoas negras, principalmente nas periferias, onde muitas vivem em extrema pobreza e com precarização do trabalho. Com essa palestra ganhamos mais clareza e discernimento sobre a nossa história, de onde viemos. Descobrimos que temos ancestrais que vieram de quilombos e entendemos o quanto o racismo influencia a vida de todos nós”.
Com o projeto, Laura lembrou de autoras como Conceição Evaristo, além de Carolina Maria de Jesus, que por meio de livros como Olhos d’Água consegue ver “a realidade de quem passa fome, cuida dos filhos, cata papel. Histórias que precisam ser contadas. A importância disso dentro da escola é indispensável”.
A Glória Do Meu Quilombo é um projeto de produção de Ligiane Ferreira e Inspire Projetos Criativos; aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura - Ministério da Cultura - Governo Federal.
Com informações de assessoria de imprensa





















