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Ceará presenteia cinema nacional com obra notável

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Tiago Bubniak

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Geralmente a metalinguagem – o cinema falando do próprio cinema – rende bons filmes. ‘Cine Holliúdy’, do diretor Halder Gomes, comprova essa afirmação. É uma produção que encanta, entre tantos aspectos, pela maestria com a qual consegue entrelaçar humor e drama.

Logo no início o espectador é apresentado a um aviso de que se trata do primeiro filme nacional falado em “cearensês” e, por isso, legendado. Mais letreiros contextualizam a história prestes a ser contada. Nos anos 1970, a chegada em massa da televisão no Ceará comprometeu o investimento em salas de cinema no interior do Estado.

Francisgleydisson (Edmilson Filho) é exposto como “um herói que resolveu lutar”. O sentido do “lutar”, aqui, é dual, uma vez que se refere tanto ao esforço para manter viva a magia da sétima arte no interior cearense quanto ao tema das películas apresentadas ao público pelo pequeno empresário (o povo é aficionado por histórias de artes marciais).

O drama de ‘Cine Holliúdy’ está no enfoque do empenho comovente da pequena família em equilibrar-se entre o amor ao cinema e as dificuldades financeiras. Busca-se constantemente superar as segundas em favor do primeiro. Por terem o destino de serem esposa e filho de Francisgleydisson, Maria das Graças (Miriam Freeland) e Francisgleydisson Filho (Joel Gomes) estão sempre ao lado do esposo/pai, vivendo com ele todas as alegrias (e agonias) que a profissão de exibidor suscita.

O humor deste trabalho de Halder Gomes está evidente, transbordante e esparramado em uma lista generosa de personagens retratados com boa dose de estereótipo, sim, mas, também, com peculiaridades suficientes para fazê-los marcantes. A forma habilidosa como todos desfilam pelo roteiro garante um resultado cômico e orquestrado.

Há algumas preciosidades, como o prefeito Olegário Elpídio (Roberto Bomtempo), que promove uma solenidade para inaugurar um banco de praça e enaltece: “quantos não nasceram de um namoro que começou em um banco de praça!?” Destaque, também, para a cena do fiscal da prefeitura e sua personificação da burocracia. Imperdível.

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