Acidentes de trânsito no trabalho acendem alerta para empresas brasileiras | aRede
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Acidentes de trânsito no trabalho acendem alerta para empresas brasileiras

Alinhada a dados do SmartLab, Medvitae alerta para a urgência de incluir riscos viários e de deslocamento externo nas estratégias corporativas de Saúde e Segurança do Trabalho (SST)

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Publicado por Lucas Veloso

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Quando se discute a segurança do trabalho, a atenção corporativa tradicionalmente se volta para o que ocorre no interior das fábricas, escritórios e unidades operacionais. Contudo, um ponto crítico e fatal tem crescido de forma alarmante fora dos portões das empresas: os acidentes de trânsito relacionados ao ambiente profissional.

O alerta ganha força diante do mapeamento de dados do SmartLab (plataforma do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho), que aponta o trânsito como um dos principais fatores de risco para a integridade dos trabalhadores no Brasil.

A análise histórica dos indicadores de 2012 a 2024 revela que acidentes envolvendo automóveis, motocicletas, tratores e ocorrências em vias públicas geraram milhares de afastamentos previdenciários e mortes. O impacto é severo em setores que demandam equipes em trânsito permanente ou deslocamentos diários, transformando ruas e rodovias em extensões diretas do ambiente ocupacional.

De acordo com Najet Saleh, Engenheira de Segurança e CEO da Medvitae, a maior fragilidade atual reside na invisibilidade desse cenário nos programas internos de prevenção. Enquanto máquinas, equipamentos, ergonomia e processos fabris passam por revisões e atenções contínuas, o risco rodoviário frequentemente enfrenta uma negligência velada. Profissionais das áreas de vendas, assistência técnica, logística, manutenção, marketing, transporte e atendimento externo passam a maior parte de suas jornadas expostos a vulnerabilidades externas que comumente culminam em eventos graves.

“Existe um mito cultural de que o acidente em via pública é apenas uma fatalidade do 'risco do dia a dia'. Porém, a legislação e a prática técnica são claras: se o sinistro ocorre no cumprimento da atividade profissional ou no deslocamento relacionado ao trabalho, ele se configura como um acidente de trabalho integral”, explica a Engenheira de Segurança Najet Saleh.

A CEO da Medvitae aponta que, além do irreparável dano humano e social, o passivo para as organizações abrange a interrupção da produtividade, elevação drástica de custos operacionais, impactos previdenciários diretos e graves riscos jurídicos e trabalhistas.

A preocupação com a segurança no trânsito também está alinhada ao Plano Global da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelece a meta de reduzir em 50% as mortes e lesões no trânsito até 2030.

Para que o Brasil atinja esses índices, Najet reforça que a cultura corporativa precisa assumir um papel ativo, recomendando que as empresas estruturem ações práticas em seus cronogramas preventivos, tais como:

● Programas contínuos de direção defensiva específicos para frotas e condutores;

● Políticas de gestão de fadiga e rígido controle de jornadas excessivas;

● Manutenção preventiva rigorosa de veículos próprios, locados ou terceirizados;

● Monitoramento estatístico de indicadores de deslocamentos e rastreabilidade segura.

O desafio atual ultrapassa o cumprimento meramente documental da burocracia de SST. A especialista ressalta a necessidade de as empresas auditarem se seus riscos de trânsito estão mapeados de forma fidedigna no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) sob a ótica da NR-1, avaliando se os treinamentos promovidos possuem eficácia prática real ou se as equipes operam sob metas de tempo que induzam ao comportamento de risco.

“Adaptar a cultura corporativa significa assumir que a responsabilidade pela integridade do trabalhador não cessa na portaria da empresa. O investimento em prevenção viária externa consolida-se como uma decisão humanitária, jurídica e de sustentabilidade financeira indispensável para o mercado brasileiro contemporâneo”, conclui Najet Saleh.

CONFIRA UM RESUMO DA NOTÍCIA:

- Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho mostram que acidentes de trânsito estão entre os principais riscos para trabalhadores brasileiros, gerando milhares de afastamentos e mortes entre 2012 e 2024.

- Segundo a engenheira de segurança Najet Saleh, empresas costumam focar na segurança dentro de suas instalações, mas muitas vezes deixam de considerar os riscos enfrentados por profissionais que passam grande parte da jornada em deslocamentos.

- A especialista defende que as organizações adotem medidas como direção defensiva, controle de jornadas, manutenção preventiva de veículos e monitoramento de deslocamentos, reforçando que a responsabilidade pela segurança do trabalhador também se estende às ruas e rodovias.

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