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Família, pra que te quero!

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Tiago Bubniak

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Judeus têm a tradição de manter por uma semana o luto pela perda de um parente próximo. É a Shivá. Nesse período, a família permanece unida em casa, saindo o mínimo possível, enquanto vivencia o sentimento da perda e recebe o conforto de amigos e demais parentes. ‘Sete Dias Sem Fim’, do diretor Shawn Levy, fundamenta-se nesse costume judaico para expor a dificuldade (ou a comicidade) da convivência familiar.

O pai falece. A mãe reúne filha e três filhos para a Shivá. Durante esse tempo, o que se vê é uma série de situações envolvendo, basicamente, pequenos desentendimentos entre irmãos e a mãe e percalços em relacionamentos amorosos. É um filme que transita sem medo pela comédia suave, o drama suave, o romance suave. Tudo é suave em ‘Sete Dias Sem Fim’. Problema: a suavidade, aqui, deve ser entendida como algo morno, incapaz de provocar grandes sobressaltos, emoções impactantes e mensagens dignas de ocupar a memória por muito tempo.

Quem recebe mais atenção no roteiro é Judd Altman (Jason Bateman), um dos filhos do falecido. Retratado como um cara “com dificuldade para lidar com o complicado” (para usar as palavras do próprio personagem), Judd é quem conduz o espectador pelo verdadeiro caldo insosso de encantos e desencantos, brigas e entendimentos, aproximações e afastamentos da família Altman e seus agregados. Esse “percurso” inclui até uma longa cena de gritante apologia à maconha (que parece ter substituído o tabaco como símbolo da ousadia em Hollywood).

Uma das maiores sacadas de todo o filme, ironicamente, é quando um menininho que está aprendendo a fazer cocô no penico aparece diante de Judd. Pelo contexto da cena, o espectador logo perceberá a riqueza de significados desse gesto simples. Porém, no conjunto, ‘Sete Dias Sem Fim’ é um passatempo descompromissado que, certamente, não receberá de quem o assiste mais que um “legalzinho” como avaliação. E olha lá...

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