Mais que uma simples pirotecnia

Dentre os blockbusters hollywoodianos produzidos para adolescentes, a série ‘Divergente’ é uma das mais instigantes. Chega a superar ‘Jogos Vorazes’ na emissão de mensagens sobre futuros (?) distópicos, governos totalitários e modelos de organização social opressores. O segundo capítulo da saga, ‘Insurgente’, vem para confirmar isso.
Logicamente, o filme (desta vez dirigido por Robert Schwentke, que substituiu Neil Burger) está coalhado de lutas, explosões e perseguições potencializadas por efeitos digitais. Mas tudo é bem concatenado com diálogos cheios de sentido para a história. O ritmo é frenético e denso, com a impressão de que cada cena é um clímax. Um dos responsáveis pelo roteiro é Akiva Goldsman, vencedor do Oscar por ‘Uma Mente Brilhante’.
Para (re)contextualizar: no universo criado por Veronica Roth, cujos livros saltaram para as telonas, a sociedade é rigidamente estratificada em cinco facções e os seus integrantes são definidos por meio de testes: Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza ou Erudição. Quem não se encaixa em nenhuma é cruelmente excluído. E quem tem características de mais de uma é considerado divergente, um perigo para a paz social, caminho pavimentado para o caos. Este segundo capítulo expõe a guerra entre facções.
A perseguição aos divergentes se intensifica em nome da suposta ordem. Mas quanto mais se fala em ordem, mais sangue é derramado. Até por quem abomina a violência. A situação justifica frases do tipo “Achei um jeito de viver com o sangue nas mãos. Mas e você? Consegue?” (dita por um criminoso a um herói com crises de consciência diante da possibilidade de assassinar); e “Tempos de crise exigem medidas extremas”. Esse argumento vem de uma vilã autoritária que desrespeita o conselho formado pelas lideranças das facções para manter o equilíbrio social (alguma relação com a ONU e o que se viu no Iraque anos atrás?).
Da cena na qual os divergentes são comparados a uma carga indesejada em um trem ao fato de conter personagens femininas de destaque, passando pelas muitas mensagens que alfinetam questões sociais, ‘Insurgente’ está longe de ser, simples e superficialmente, considerado fútil.





















