A humanização do mal | aRede
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A humanização do mal

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Tiago Bubniak

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Desde que Bram Stoker popularizou os vampiros com o lançamento de seu livro ‘Drácula’, em 1897, a fascinação gerada por esse personagem nunca cessou. Incontáveis obras, sobretudo na literatura e no cinema, trataram de (sem medo do trocadilho) eternizar o conde da Transilvânia. ‘Drácula – A História Nunca Contada’ é mais uma dessas tentativas. E chega com roupagem aparentemente clássica, mas embebida por uma concepção bastante humana de Vlad.

Não é nenhuma novidade que releituras de clássicos estão em evidência no cinema comercial, nas mais diferentes vertentes. Entre as características de exemplares desse modismo está o investimento em personagens menos fáceis de serem taxados de bons ou maus. A estreia do diretor Gary Shore em longas segue por essa trilha, pintando um protagonista mais humano. Recentemente, ‘Malévola’ e ‘Hércules’ traçaram esse caminho,  exibindo personagens de destaque com a ambiguidade típica do ser humano, nem tão heróicos, nem tão vilões.

O Vlad do diretor Gary Shore é interpretado por Luke Evans, que opta por fazer um pacto com o mal para salvar sua família e seu povo de uma guerra contra os turcos. Fica difícil não concordar com as razões que levam Vlad a fazer o que faz, já que o roteiro concede muito mais destaque ao seu presente pacífico do que ao seu comportamento sanguinolento em guerras do passado. Os holofotes da trama potencializam uma identificação intensa com o espectador que é esposo e pai. As crises do protagonista e a própria concepção do cartaz de divulgação do filme lembram a sombria (e bem feita) trilogia ‘Batman’, de Christopher Nolan.

Se você é mais um dos tantos que alimentam fascinação pelo vampirismo e não se importa com releituras, poderá até se divertir. Principalmente se estiver acompanhado de uma boa pipoca. Agora, se você é um fã ardoroso de relatos clássicos, poderá contorcer-se na poltrona tal qual um vampiro diante da luz.

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