‘Chef’ não é indigesto, mas está longe de impressionar

Provar o menu de um chef remete a uma experiência potencialmente sofisticada, inesquecível, digna de estimular de modo considerável os sentidos. Em termos cinematográficos, ‘Chef’, de Jon Favreau, segue na direção oposta. É insosso, muito simples e facilmente esquecível. A película pode até provocar a visão, o paladar e o olfato em alguns momentos. Mas só: na maior parte do tempo, a trama não tem nada que fuja do senso comum e dos traçados rígidos dos padrões de Hollywood. Nenhum estímulo ao cérebro, pouca motivação ao coração.
O próprio diretor interpreta Carl, o protagonista que dá nome ao filme. Após a crítica desagradável de um blogueiro, ele enfrenta uma crise, sai do restaurante onde trabalha, decide investir em um trailer e passa a vender comida nas ruas. Essa última empreitada vem acompanhada da tentativa de Carl de aproximar-se de seu filho Percy (Emjay Anthony), de dez anos.
Favreau escalou um elenco de figurões como Dustin Hoffman, Scarlett Johansson e Robert Downey Jr para compor um filme que fala muito mais do relacionamento entre pai e filho e do uso das redes sociais na contemporaneidade do que propriamente de gastronomia. Não que a escolha da direção para a qual os holofotes do roteiro foram apontados seja equivocada. A questão está na qualidade do desenrolar da história como um todo, que não tem nenhum momento especial digno de registro mais profundo na memória.
Acompanhar as quase duas horas do filme não é necessariamente uma tarefa sofrível, mas tampouco traz grande prazer ou aprendizado. ‘Chef’ não é de todo indigesto. No entanto, está muito longe de impressionar.





















