Labirinto bem arquitetado | aRede
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Labirinto bem arquitetado

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Tiago Bubniak

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“Até onde me lembro, eu sempre quis fazer o que era certo. Acho que agora não sei mais o que é isso”. A afirmação de Steve Rogers (Chris Evans), o Capitão América, é feita para a agente Peggy Carter. Na cena, a personagem jovem e enamorada pelo protagonista no primeiro filme aparece em ‘Capitão América 2 – O Soldado Invernal’ idosa e debilitada diante de um Rogers muito bem preservado após quase sete décadas de congelamento.

Essa passagem do filme dirigido por Anthony e Joe Russo é significativa não apenas por marcar o reencontro do Capitão América com suas origens, mas, sobretudo, por expor o supersoldado verbalizando suas impressões sobre o quanto o mundo mudou nesses quase setenta anos. As fronteiras entre certo e errado ficaram incertas, o terrorismo provocou uma multipolarização das ameaças e a “aldeia global” na qual o planeta se transformou graças à internet tem, entre tantas características, as desvantagens do enfraquecimento da privacidade e da facilidade de vazamento de informações.

Para um herói extremamente patriota (das cores do uniforme ao fato de ser um produto científico desenvolvido para fortalecer o poderio militar estadunidense), profundamente calcado nos valores da sinceridade e da honra e que faz dos próprios punhos e do escudo suas únicas armas, esse mundo do século 21 revela-se bastante confuso.

Por pincelar esse dilema e fundamentar-se em um roteiro muito bem tecido, ‘Capitão América 2 – O Soldado Invernal’ merece atenção especial dentre filmes do gênero. Se ‘Capitão América – O Primeiro Vingador’ contou as origens de Rogers, a sequência retoma alguns tópicos e avança, criando uma atmosfera de espionagem e propondo ao espectador a divertida experiência de perceber que (quase) nada do que se vê é realmente o que aparenta ser.

Depois que Christopher Nolan deu à trilogia ‘Batman Begins’ um ar mais realista, com personagens com conflitos existenciais, que os aproximam de qualquer espectador, convencionou-se afirmar que os filmes de heróis vindos das histórias em quadrinhos ingressaram em um novo patamar, buscando investir em complexidade e verossimilhança. ‘Capitão América 2 – O Soldado Invernal’ segue nesse caminho. É entretenimento, sim. Mas bem arquitetado.

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