Vizinhos escutam pedido de socorro e garotas são libertadas

Duas jovens que viviam em cárcere privado foram resgatas neste fim de semana de uma casa no bairro Atuba, em Curitiba. Uma adolescente de 15 anos e uma mulher de 20 anos eram mantidas trancadas sob vigilância dos donos da casa e eram obrigadas a fazer tarefas domésticas sem remuneração – uma delas contou à Banda B que tinha que trabalhar nua. Ermínia de Almeida Moura, de 54 anos, e José Pedro Medeiros Borges, de 46 anos, foram presos em flagrante.
A adolescente vivia com o casal em Curitiba há cerca de dois anos. Eles são de Uruguaiana (RS), e a garota foi convidada para morar na capital para estudar. A jovem de 20 anos é sobrinha de Ermínia, morava na casa há cerca de dois meses, e também teria vindo para a casa da tia na promessa de fazer faculdade.
No entanto, de acordo com o delegado Vilson Toleto, responsável pelo caso, o casal reteve a documentação da adolescente e a obrigou a realizar os serviços domésticos, sem nenhum tipo de salário As garotas aproveitaram o momento em que o casal saiu de casa e esqueceu de esconder as chaves para fugir. Elas pediram ajuda na vizinhança e estavam em pânico. A Polícia Militar foi acionada e fez a prisão do casal.
“As meninas sofriam agressões, levavam tapas, arremessos de objetos, unhadas. Não tinham liberdade, saiam vigiadas e sofriam ameaças. Eles faziam as garotas conversar com as famílias pelo viva voz, sem poder contar o que estava acontecendo. Nos últimos meses, a adolescente contou que também passou a ser estuprada depois que era obrigada a tomar remédio para dormir”, contou o delegado Toledo.
Ermínia, reincidente no crime de manter uma pessoa análoga à escravidão, está detida no Centro de Triagem I. Borges não possui nenhuma passagem pela polícia e está detido em uma cela separada. Os dois podem responder por sequestro e trabalho escravo. Caso se confirme, Borges ainda pode responder por estupro.
As garotas foram levadas ao Conselho Tutelar e na tarde desta segunda-feira serão submetidas a exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal.





















