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Afogamentos e recorde de calor: clima quente na Europa só tende a piorar

Cientistas alertam que a queima de combustíveis fósseis é a principal causa do fenômeno; infraestrutura do continente também piora o calor

A França tem sido um dos epicentros do calor extremo
A França tem sido um dos epicentros do calor extremo -

Publicado Por Milena Batista

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O calor extremo e persistente vem se intensificando em diversos países da Europa, com centenas de recordes de temperatura sendo superados ao longo desta semana. Cientistas alertam que o fenômeno representa um desafio crescente para o continente e pode indicar uma nova realidade climática.

Conforme a CNN, a Europa é considerada a região que mais aquece no planeta, com um ritmo de aumento de temperatura cerca de duas a três vezes superior à média global. Apesar disso, especialistas afirmam que o continente ainda não está preparado para lidar com episódios tão intensos de calor.

A infraestrutura de muitos países não foi projetada para condições extremas. Em dias de temperaturas elevadas, trilhos ferroviários sofrem deformações, redes elétricas são sobrecarregadas, residências se transformam em ambientes de forte retenção de calor e há aumento de riscos à saúde, com registros de mortes associadas ao clima.

Esta já é a segunda onda de calor recorde em apenas dois meses, e há possibilidade de novos recordes nacionais serem quebrados antes mesmo do auge do verão europeu, tradicionalmente em julho.

Para o professor Hugh Montgomery, da University College London, o cenário é alarmante. “Isto não é a nova normalidade; isto é o prenúncio de uma catástrofe absoluta”, afirmou.

A França tem sido um dos epicentros do calor extremo, registrando, nesta semana, o dia mais quente de sua história recente. A temperatura média nacional chegou a cerca de 29°C, superando o recorde anterior de 2019, segundo dados preliminares da Météo-France. Em algumas cidades, os termômetros ultrapassaram 44°C.

O impacto já é considerado grave. O governo francês informou que mais de 40 pessoas morreram afogadas desde 18 de junho, associando parte dos casos ao aumento das temperaturas e classificando a situação como um “flagelo terrível”.

Também foram registrados óbitos relacionados diretamente ao calor, incluindo três idosos na região de Bordéus e duas crianças encontradas sem vida dentro de um veículo exposto ao sol no sul do país.

No Reino Unido, as temperaturas devem superar os 37°C, levando o Met Office a emitir um alerta vermelho — o nível mais raro de advertência, indicando risco potencial à vida. O aviso provocou o fechamento ou redução de funcionamento de centenas de escolas, além de recomendações para evitar viagens ferroviárias.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, chegou a afirmar que Londres estava “fervendo” durante um discurso na Semana do Clima.

O país também registrou quebra de recorde para o mês de junho, com 36,1°C, acima da marca anterior de 35,6°C.

Para especialistas, a intensidade dos registros é incomum. “Ultrapassar recordes por vários graus é uma completa loucura”, disse Peter Thorne, diretor do Centro de Pesquisa Climática ICARUS, na Irlanda.

Na Espanha, cidades do sul registraram temperaturas superiores a 45°C, como em Andújar, segundo o serviço meteorológico AEMET. Quase todo o território espanhol esteve sob alerta de calor.

No total, mais de 20 países europeus emitiram alertas relacionados às altas temperaturas, sendo que ao menos cinco — Alemanha, França, Espanha, Suíça e Luxemburgo — chegaram ao nível vermelho de risco.

O que explica o calor extremo?

Segundo especialistas, o fenômeno está relacionado a um “domo de calor”, um sistema de alta pressão estacionado sobre o continente que funciona como uma tampa, retendo o ar quente e intensificando as temperaturas.

Embora ondas de calor sejam comuns no verão europeu, cientistas afirmam que a intensidade atual é fora do padrão histórico. As mudanças climáticas, impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis como petróleo, carvão e gás natural, são apontadas como o principal fator de agravamento.

O fenômeno climático El Niño também está se formando no Pacífico, o que pode influenciar eventos extremos no futuro. No entanto, especialistas afirmam que, no momento, ele ainda não tem impacto significativo sobre a atual onda de calor na Europa.

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