Keiko Fujimori, herdeira do fujimorismo, é matematicamente eleita no Peru
A apuração oficial foi atualizada na madrugada desta quarta (24)

Com mais de 99,85% das urnas apuradas e após uma contagem de votos que se prolongou por mais de duas semanas, a direitista Keiko Fujimori, 50, herdeira do movimento fujimorista, foi matematicamente eleita presidente do Peru. Com o esquerdista Roberto Sánchez como adversário, a candidata do Força Popular travou uma dura disputa que foi decidida voto a voto.
Filha do ex-ditador Alberto Fujimori
Keiko Fujimori lidera a disputa com 50,11% dos votos válidos. A apuração oficial, atualizada na madrugada desta quarta (24), aponta que ela recebeu 9.206.241 votos.
O candidato de esquerda, Roberto Sánchez, não tem mais chances de virar o resultado. Sánchez soma 9.162.855 votos, correspondentes a 49,82%, o que representa uma diferença de cerca de 43 mil votos a menos que a adversária.
Ainda faltam a apuração de mais votos para a conclusão oficial da apuração no país. Segundo dados do Onpe (Escritório Nacional de Processos Eleitorais), restam apenas 40.213 votos a serem contabilizados, quantidade menor que a diferença entre os candidatos.
Após três derrotas, a candidata da Força Popular venceu a disputa e se tornou presidente do Peru. Essa foi a quarta vez consecutiva que Keiko se lançou como candidata. Mesmo com dificuldades para se conectar com certos setores do público, particularmente as comunidades rurais e indígenas, ela superou o adversário.
Nas eleições anteriores, ela perdeu no segundo turno para candidatos menos conhecidos. A herdeira fujimorista não reconheceu os resultados das duas últimas eleições. Ela foi derrotada pelo direitista Pedro Pablo Kuczynski em 2016 e pelo esquerdista Pedro Castillo em 2021.
Durante a campanha, disputada voto a voto, Keiko reivindicou o legado de seu pai, Alberto Fujimori, que morreu em 2024. Ele passou cerca de 16 anos na prisão após ser condenado por crimes contra a humanidade. Se para alguns ele foi um presidente que estabilizou um país abalado pela crise econômica, para outros ainda é sinônimo de violações dos direitos humanos.
A figura do pai dela gera divisões no Peru e é muito controversa. Após renunciar em 2000 para tentar evitar um impeachment, após mais de dez anos no poder, Alberto Fujimori foi acusado de crimes como execuções extrajudiciais e esterilização forçada de povos indígenas. A herdeira do fujimorismo tentou associar sua imagem àquela que os admiradores têm de Alberto Fujimori, com o slogan de sua campanha "volta à ordem".
Com informações do Uol.
Leia o resumo da notícia
- Keiko Fujimori foi matematicamente eleita presidente do Peru após obter 50,11% dos votos válidos, superando Roberto Sánchez por cerca de 43 mil votos.
- Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko venceu sua quarta tentativa consecutiva de chegar à presidência, após derrotas em eleições anteriores para Pedro Pablo Kuczynski e Pedro Castillo.
- A campanha foi marcada pela defesa do legado de seu pai, figura que divide opiniões no país: admirado por alguns pela estabilização econômica e criticado por outros devido a condenações por violações de direitos humanos, incluindo crimes contra a humanidade.





















