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Cessão de ferrovias inativas é oportunidade de transformar cidades dos Campos Gerais

Avaliação do conselheiro Mário Rodrigues Montemór Netto defende projetos de parques, ciclovias e jardins para as áreas em que as ferrovias inativas deixarão de ocupar

Mário Rodrigues Montemór Netto é conselheiro na área da Saúde
Mário Rodrigues Montemór Netto é conselheiro na área da Saúde -

Lilian Magalhães

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O conselheiro da área da Saúde do Grupo aRede, Mário Rodrigues Montemór Netto, afirma que a cessão de áreas ferroviárias inativas aos municípios representa uma oportunidade de recuperar espaços urbanos degradados e transformá-los em áreas voltadas à qualidade de vida. Em seu artigo, ele compara os antigos trilhos abandonados a "tromboses urbanas" e defende que projetos como parques, ciclovias e jardins botânicos ajudam a restaurar o equilíbrio das cidades, promovendo mobilidade, integração entre bairros e benefícios à saúde da população.

Por outro lado, o conselheiro alerta para os desafios da nova concessão da Malha Sul, que, segundo ele, pode comprometer a logística paranaense ao direcionar recursos gerados pelo corredor ferroviário do Paraná e Santa Catarina para subsidiar outros trechos da malha. Para Netto, é fundamental que os investimentos sejam revertidos em obras estratégicas no Estado, garantindo que o desenvolvimento urbano seja acompanhado por uma infraestrutura logística capaz de sustentar o crescimento econômico da região.

Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, Diretor de Saúde da ACIPG, presidente da AMPG, professor do curso de Medicina da UEPG e conselheiro de Saúde do Portal aRede:

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Assista à opinião de Mário Rodrigues Montemór Netto. | Autor: Mário Montemor/Colaboração/aRede.

"DIAGNÓSTICO URBANO: A Cura das "Cicatrizes de Ferro" e o Risco de Anemia Logística

Na biologia, quando uma artéria perde sua função original e para de transportar sangue, ela não pode simplesmente ser esquecida dentro do corpo. Se deixada de lado, ela atrofia, inflama e compromete a saúde dos tecidos ao seu redor. Ao analisarmos Ponta Grossa e a região dos Campos Gerais como um grande organismo vivo, os quilômetros de ferrovias inativas que cortam nossas cidades atuaram, por mais de três décadas, exatamente como tromboses urbanas.

A assinatura do Acordo de Cooperação Técnica em Brasília para a cessão desses espaços aos municípios é, portanto, uma das maiores "cirurgias de revascularização" da nossa história recente. Nossos prefeitos receberam o bisturi necessário para extirpar a doença do abandono.

Transformando Cicatrizes em Pulmões

Apenas em Ponta Grossa, convivemos com cerca de 40 quilômetros de trilhos mortos que segmentaram bairros e isolaram comunidades inteiras. O diagnóstico da prefeita Elizabeth Schmidt é preciso ao propor a transformação da área de 40 mil metros quadrados das antigas Oficinas da Rede em um Jardim Botânico. Na medicina preventiva, isso equivale a implantar um "pulmão verde" no miocárdio da cidade. Além do resgate da flora e da fauna através de estufas e meliponários, esses espaços entregam saúde pública real: locais de caminhada e contemplação reduzem a carga de cortisol (estresse) da população, combatem patologias ligadas ao sedentarismo e melhoram a homeostase (equilíbrio) mental e física.

Os prefeitos de Jaguariaíva, Castro, Carambeí, Piraí do Sul, Arapoti e Ventania também acertam na prescrição ao planejar parques lineares, ciclovias, integração de bairros e regularização fundiária nessas faixas. Eles estão removendo um tecido necrótico e devolvendo vida, fluxo (angiogênese) e oxigenação para as extremidades urbanas que sofriam de isquemia estrutural.

VÍDEO
| Autor: Mário Montemor/Colaboração/aRede.

O Parasitismo do Modelo Federal e a "Transfusão Forçada"

Contudo, o nosso check-up regional exige alerta máximo ao olharmos para as "artérias de aço que ainda pulsam". A nova modelagem do Ministério dos Transportes para a concessão da Malha Sul prevê a criação de três corredores. O nosso corredor (Paraná-Santa Catarina) é o verdadeiro músculo de alta performance desse sistema, concentrando 78% do transporte de cargas de toda a malha.

A anomalia clínica gravíssima está na "receita" de Brasília: o governo federal quer usar o excedente de energia gerado pelo vigoroso metabolismo do nosso agronegócio e da nossa indústria (uma outorga bilionária de R$ 8,6 bilhões) para realizar uma "transfusão de sangue forçada". A intenção é subsidiar as operações deficitárias e a reconstrução do corredor do Mercosul, no Rio Grande do Sul.

Como bem alertou o Sistema FAEP e o G7, isso configura um quadro de anemia fiscal e logística induzida. Estão drenando o sangue do Paraná para curar as feridas de outras regiões. Ao autorizar esse dreno, a União deixa de realizar "cirurgias de ponte de safena" vitais para o nosso próprio escoamento, como a construção de um novo traçado na Serra da Esperança e o Contorno Ferroviário Oeste de Curitiba. Sem essas intervenções, o sistema paranaense caminha para um colapso obstrutivo.

Prognóstico: O Sistema Imunológico Precisa Agir

Celebramos com alívio a retirada das "cicatrizes de ferro" de dentro das nossas cidades. É a alta médica que a mobilidade urbana tanto sonhava. No entanto, o organismo do Paraná não pode aceitar o papel de doador universal em um sistema que negligencia a sua própria saúde logística a longo prazo.

As audiências públicas de julho serão a sala de emergência onde a sociedade civil, o setor produtivo e nossos líderes precisarão agir como os anticorpos e o sistema imunológico do Estado. Precisamos garantir que os nutrientes gerados pelo nosso próprio metabolismo econômico sejam reinvestidos na desobstrução das nossas próprias artérias. Onde o trem parou, a saúde urbana renasce; mas nas vias por onde ele ainda passa, a nossa riqueza não pode ser drenada".

Conselho da Comunidade

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

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