Multas, educação e cidades mais seguras: punir não basta no trânsito | aRede
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Multas, educação e cidades mais seguras: punir não basta no trânsito

Conselheira de Turismo do Grupo aRede argumenta sobre a importância da integração entre educação, urbanismo e tecnologia para otimizar mobilidade urbana

Karen Kobilarz é conselheira de Turismo do Grupo aRede
Karen Kobilarz é conselheira de Turismo do Grupo aRede -

Lilian Magalhães

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O avanço urbano de Ponta Grossa impõe novos desafios à convivência nas ruas e avenidas da cidade. Esta é a opinião de Karen Kobilarz, conselheira de Turismo do Grupo aRede.

Para ela, lidar com esse contexto deve ir além das punições. Karen propõe a elaboração de políticas que combinem orientação aos cidadãos, organização dos espaços públicos e uso inteligente da fiscalização, de modo a promover segurança, responsabilidade coletiva e preservação da vida no cotidiano da mobilidade.

O debate é referente a reportagem especial do Portal aRede

Confira abaixo a opinião na íntegra de Karen, que é bacharel em Turismo, consultora do Sebrae e Senar PR, além de gestora executiva do Adetur Campos Gerais:

"A aplicação de multas de trânsito precisa ser compreendida para além do senso comum que as associa exclusivamente à punição ou à arrecadação. Em uma política pública moderna de mobilidade urbana, a multa deve ocupar um papel estratégico de educação, transformação cultural e qualificação do espaço urbano. Isoladamente, ela tem efeito limitado; integrada a ações educativas, urbanísticas e tecnológicas, torna-se uma poderosa ferramenta de cuidado com a vida.

A fiscalização cumpre um papel pedagógico fundamental ao sinalizar quais comportamentos são inaceitáveis e perigosos. Excesso de velocidade, avanço de sinal, uso de celular ao volante e desrespeito ao pedestre não são meras infrações administrativas, mas condutas que colocam vidas em risco. Quando acompanhadas de campanhas permanentes de conscientização e de formação continuada de condutores, as multas deixam de ser vistas apenas como penalidade e passam a contribuir para mudanças reais e duradouras no comportamento da população.

Não por acaso, cidades que conseguiram reduzir drasticamente mortes e feridos graves no trânsito adotaram uma abordagem sistêmica. Países como Suécia e Finlândia, além de grandes centros urbanos da Europa e da América do Norte, inspiraram-se no conceito do Programa Visão Zero, segundo o qual nenhuma morte no trânsito é aceitável. Nessas experiências, a multa não é o fim da política pública, mas parte de um ecossistema que envolve redesenho viário, redução de velocidades, priorização do pedestre e do ciclista, boa iluminação, sinalização clara e uso intensivo de dados e tecnologia.

As principais estratégias da Visão Segura incluem o controle rigoroso da velocidade, reconhecida como o principal fator de agravamento dos acidentes; o redesenho de ruas e cruzamentos para reduzir conflitos e minimizar erros; e a proteção dos usuários mais vulneráveis, como crianças, idosos e ciclistas. O programa parte de um princípio essencial: o erro humano é inevitável, e cabe ao poder público criar um sistema viário capaz de absorver esse erro sem que ele resulte em mortes. A educação contínua, integrada à fiscalização, completa essa lógica ao fortalecer uma cultura de responsabilidade coletiva.

É claro que a política de multas também apresenta desafios. Quando aplicada de forma desconectada de melhorias visíveis na cidade, pode gerar desconfiança e a sensação de que se trata apenas de um instrumento arrecadatório. Por isso, a legitimidade da fiscalização depende da transparência e, sobretudo, da reversão dos recursos em benefícios concretos para a população.

Em Ponta Grossa, há espaço e necessidade de avançar nessa direção. Integrar a arrecadação das multas a investimentos claros em educação no trânsito, modernizar a fiscalização com base em dados, requalificar vias, calçadas e cruzamentos e ampliar programas educativos para jovens e reincidentes são medidas viáveis e urgentes. Ao alinhar educação, urbanismo e tecnologia, a cidade pode transformar a multa em um instrumento moderno de proteção à vida.

Punir, por si só, não educa. Mas quando a punição vem acompanhada de planejamento urbano inteligente, informação, transparência e compromisso com a segurança, ela se transforma em uma aliada fundamental para construir uma mobilidade mais segura, humana e sustentável".

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CONSELHO DA COMUNIDADE

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Crescimento urbano e novos desafios: A expansão de Ponta Grossa intensifica os conflitos no trânsito e exige repensar a forma como pessoas e veículos compartilham ruas e avenidas.

- Multa como ferramenta educativa: A fiscalização deve ir além da punição, atuando de forma integrada à educação, ao planejamento urbano e à tecnologia para estimular mudanças de comportamento e proteger vidas.

- Política sistêmica e transparente: Investimentos em segurança viária, inspirados em modelos como a Visão Zero, aliados à aplicação clara dos recursos arrecadados, fortalecem a confiança da população e contribuem para uma mobilidade mais segura e humana.

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