Cooperativismo impulsiona agroindustrialização e transforma economia do Paraná | aRede
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Cooperativismo impulsiona agroindustrialização e transforma economia do Paraná

Com faturamento recorde de R$ 223 bilhões, as cooperativas aceleram a agroindustrialização, geram empregos e impulsionam o desenvolvimento do estado

O cooperativismo conecta mais de 4,42 milhões pessoas no Paraná; o agro abriga hoje 82 cooperativas do setor
O cooperativismo conecta mais de 4,42 milhões pessoas no Paraná; o agro abriga hoje 82 cooperativas do setor -

Lilian Magalhães

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O agronegócio brasileiro encontra no Paraná um de seus motores mais dinâmicos e resilientes, impulsionado por um modelo econômico que substitui a lógica da competição individual pela força da cooperação em escala.

Em 2025, o sistema cooperativista paranaense demonstrou de forma inequívoca sua solidez ao alcançar a marca histórica de R$ 223 bilhões em faturamento, gerando um resultado líquido de R$ 10,3 bilhões. Esse ecossistema conecta atualmente 4,42 milhões de cooperados no Paraná e sustenta mais de 154,3 mil empregos diretos no estado, transformando a riqueza gerada no campo em progresso social, inovação tecnológica e estabilidade econômica para centenas de municípios.

No setor do agronegócio especificamente, o estado abriga hoje 82 cooperativas do setor, que operam de forma integrada com 157 agroindústrias em plena atividade. Esta rede somou R$ 182 bilhões em faturamento em 2025, o que representa 82% de toda a movimentação econômica do cooperativismo paranaense. A relevância estrutural desse modelo é tão profunda que suas estruturas de armazenagem e logística recebem, anualmente, cerca de 68% da soja, 69% do milho e 69% do trigo cultivados em solo paranaense. Em vez de exportar apenas matéria-prima bruta, o estado aprendeu a reter o valor agregado, industrializando o grão, a carne e o leite dentro de suas próprias fronteiras.

Coordenação no Paraná

Esse protagonismo econômico e social é coordenado de forma estratégica pelo Sistema Ocepar, entidade que completa 55 anos de atuação em 2026. A Ocepar desempenha um papel fundamental na organização, representação institucional e planejamento de longo prazo do setor, sendo a mentora de planos de desenvolvimento que transformaram o perfil produtivo do estado.

A evolução histórica recente do cooperativismo paranaense evidencia o acerto dessa visão de futuro: em 2015, o faturamento do setor girava em torno de R$ 50 bilhões. Com a implementação de planejamentos estratégicos rigorosos, o sistema superou os desafios globais da pandemia e ultrapassou os R$ 200 bilhões em 2023.

Amparado na diversificação de portfólio e na verticalização industrial, o setor projeta atingir R$ 300 bilhões até 2027, com uma ambiciosa meta de alcançar R$ 500 bilhões até o ano de 2030, expandindo suas fronteiras comerciais e absorvendo novos mercados.

Imagem ilustrativa da imagem Cooperativismo impulsiona agroindustrialização e transforma economia do Paraná

Campos Gerais

Dentro do panorama estadual, a região dos Campos Gerais destaca-se historicamente como um polo de alta tecnologia, produtividade e excelência agroindustrial. A região abriga oito cooperativas do ramo agropecuário registradas no Sistema Ocepar: Castrolanda, Frísia, Capal, Witmarsum, Camp, Unicastro, Cooperponta e Copergera.

Juntas, no fechamento do ano de 2025, essas organizações movimentaram R$ 19,2 bilhões, congregando 8.193 produtores cooperados e gerando 5.418 postos de trabalho diretos, consolidando a região como uma referência nacional em intercooperação, modelo onde as cooperativas unem forças para investimentos conjuntos.

Destaques

Os resultados financeiros e operacionais das gigantes regionais em 2025 refletem esse momento de forte expansão e maturidade de gestão. A Cooperativa Castrolanda, com sede em Castro, encerrou o ano com um faturamento de R$ 6,2 bilhões e um resultado líquido recorde de R$ 287,5 milhões. O diretor-presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, detalhou que o desempenho histórico decorre de um rigoroso trabalho de eficiência operacional. "Nos últimos anos, a Castrolanda passou por um processo de otimização de gestão, para evitar desperdícios e procurar sempre a eficiência nas suas operações", declarou.

Bouwman apontou que o equilíbrio e a diversificação de negócios foram fundamentais, destacando que setores como a pecuária de leite, a agricultura, a suinocultura e a produção de batata agregaram juntos para o balanço altamente positivo, garantindo crescimento mesmo em cenários de mercado desafiadores.

A Frísia Cooperativa Agroindustrial também desenha um futuro robusto baseado na ampliação de sua infraestrutura logística e industrial. A cooperativa anunciou a parceria firmada com a gigante global Louis Dreyfus Company (LDC) para a operação conjunta da unidade moageira de Ponta Grossa um complexo industrial moderno com capacidade de processar mais de 1 milhão de toneladas de soja por ano.

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Conforme divulgado pela diretoria da cooperativa, essa aliança estratégica deverá acrescentar aproximadamente R$ 3 bilhões anuais ao faturamento da Frísia. A liderança da cooperativa pontuou à reportagem que o crescimento recente foi sustentado pelo avanço técnico dos próprios cooperados, que ampliaram o volume de leite e a produtividade nas lavouras. A meta da Frísia até 2030 prevê a continuidade desses investimentos pesados na otimização e na verticalização de suas plantas fabris.

Outra força expressiva na região é a Capal Cooperativa Agroindustrial, que registrou em 2025 o maior faturamento de seus 65 anos de história, atingindo a marca de R$ 5,4 bilhões, com uma sobra líquida de R$ 116 milhões. O resultado recorde foi impulsionado por um crescimento de 31% na recepção de grãos, que saltou para 965 mil toneladas.

Diferente do mercado corporativo tradicional, onde a competição desenfreada muitas vezes isola os agentes econômicos, o cooperativismo paranaense prova que a união de escala, o investimento em tecnologia e o compromisso social constroem um ecossistema muito mais moderno, humano e resiliente.

Ao verticalizar a produção e investir na modernização do campo, as cooperativas não apenas protegem a rentabilidade do pequeno, médio e grande produtor rural diante das oscilações de preços internacionais, mas garantem que a riqueza gerada pela terra permaneça no Paraná, transformando-se em salários, impostos municipais, assistência técnica e qualidade de vida para milhões de famílias paranaenses.

Além da unidade física na cidade, a Cresol tem investido na inovação, através de plataformas e da Agência Digital
Além da unidade física na cidade, a Cresol tem investido na inovação, através de plataformas e da Agência Digital |  Foto: Reprodução.

Crédito rural

A Cresol tem consolidado sua atuação como uma das principais cooperativas de crédito do país, unindo atendimento personalizado, soluções financeiras e forte presença comunitária. Fundada no Paraná em 1995, a instituição já reúne mais de 1 milhão de cooperados em 19 estados brasileiros, com foco no desenvolvimento econômico e social das comunidades onde atua.

Em Ponta Grossa e região, a cooperativa também tem investido em inovação por meio da Agência Conecta, plataforma virtual que permite aos cooperados realizarem operações financeiras com praticidade, sem abrir mão do atendimento humanizado oferecido pelos gerentes e assistentes da instituição.

Anuário 'Caminhos do Paraná'

Este conteúdo integra a 17ª edição do anuário do Grupo aRede, intitulado "Caminhos do Paraná", cujo tema central é "A Força do Agro". A publicação mudou o nome de "Caminhos dos Campos Gerais" para "Caminhos do Paraná", expandindo o foco para todo o estado. Com mais de 200 páginas, esta é a maior edição da história do projeto editorial. O livro detalha a força do agronegócio paranaense, abordando tecnologia, sustentabilidade e cooperativismo diante de centenas de lideranças regionais.

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