Alface sobe 36,56%: veja quais hortaliças e frutas pesaram no bolso em janeiro
Levantamento da Conab aponta alta de preços em itens como cenoura, tomate e maçã, enquanto melancia, banana e batata registram queda nas Ceasas

O 2º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado na quarta-feira (25) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), detalha o comportamento dos preços de hortaliças e frutas nos principais mercados atacadistas do país em janeiro.
Entre os produtos analisados, alface, cenoura, tomate e maçã registraram alta na média ponderada de preços na comparação com dezembro.
A alface lidera as elevações, com aumento de 36,56%. Segundo a Conab, o avanço está diretamente ligado ao excesso de chuvas nas regiões produtoras.
As precipitações dificultam a colheita, provocam perdas no campo, comprometem a qualidade e reduzem a vida útil da hortaliça. Além disso, o clima adverso restringe novos plantios, o que impacta a oferta nas semanas seguintes.
A cenoura também apresentou nova alta em janeiro, com elevação de 8,55% na média ponderada entre as Ceasas. O movimento é atribuído à redução de 9% na oferta da raiz. Apesar da alta no mês, os preços ainda permanecem abaixo dos registrados em janeiro de 2025.
No caso do tomate, a Conab identificou aumento de 9,46% nos preços médios. A valorização está associada à redução das áreas com frutos em ponto de colheita, o que diminuiu o volume comercializado na maioria das Ceasas e pressionou as cotações.
QUEDA EM BATATA E CEBOLA
Entre as hortaliças, o movimento foi inverso para batata e cebola, que registraram queda nos preços.
A batata apresentou recuo de 11,75% na média ponderada, resultado da maior oferta impulsionada pela safra das águas, que contribuiu para o abastecimento e para a manutenção das cotações em patamar mais baixo.
Já a cebola teve redução de 11,01%, movimento considerado incomum para o período. A queda foi motivada pelo aumento da oferta proveniente de Santa Catarina, que cresceu 115% em relação a dezembro de 2025.
MAÇÃ SOBE; MAIORIA DAS FRUTAS RECUA
Entre as frutas, a maçã foi destaque de alta, com avanço de 7,75% na média ponderada.
A elevação está ligada à menor disponibilidade nos mercados, causada pela finalização dos estoques em câmaras frias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, pela redução da oferta da maçã eva paranaense e pelo fim do pico da safra paulista. A menor demanda, no entanto, limitou uma alta mais intensa.
Das cinco frutas mais comercializadas nos principais mercados atacadistas, quatro ficaram mais baratas em janeiro: banana, laranja, mamão e melancia registraram queda na comparação com dezembro.
A maior redução foi observada na melancia, com recuo de 29,96% na média ponderada. Mesmo com menor oferta — influenciada pela redução da safra paulista, pelo lento crescimento da safra gaúcha, pela oferta estagnada no sul da Bahia e pela entressafra em Goiás — os preços caíram, pressionados principalmente pela menor demanda, com destaque para a Ceasa do Rio de Janeiro.
O mamão apresentou queda de 11,04%, refletindo o aumento da oferta, especialmente da variedade papaya do norte do Espírito Santo e do formosa produzido no sul da Bahia.
A banana registrou recuo de 8,99% na média ponderada, influenciada pela maior oferta da variedade nanica. As temperaturas mais altas favoreceram o amadurecimento da fruta e, associadas a chuvas regulares, contribuíram para melhor enchimento e qualidade dos cachos.
Para a laranja, houve variações mais moderadas, com predominância de queda. A redução chegou a -4,83% na média ponderada, com as maiores quedas registradas nos entrepostos de Campinas (-8,74%) e Goiânia (-9,58%), diante da maior oferta local.
EXPORTAÇÕES RECUAM EM VOLUME, MAS FATURAMENTO CRESCE
Em janeiro de 2026, o volume total de frutas exportado pelo Brasil foi de 98,44 milhões de toneladas, queda de 12% em relação ao mesmo mês de 2025.
Apesar da retração no volume, o faturamento somou US$ 112 milhões (FOB), alta de 4,4% na mesma base de comparação, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Mesmo com recuo mensal nas exportações de melões, limões, uvas e melancias, o ano começou com bom desempenho nas vendas externas, especialmente para mercados da Europa e da Ásia, após os recordes registrados em 2025.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Altas expressivas impulsionadas pelo clima: A alface liderou as altas com um salto de 36,56%, devido ao excesso de chuvas que prejudicou a colheita e a qualidade. Tomate, cenoura e maçã também ficaram mais caros, esta última influenciada pelo fim dos estoques em câmaras frias no Sul e pelo encerramento de safras regionais.
- Queda nos preços das frutas e tubérculos: A maioria das frutas (melancia, mamão, banana e laranja) registrou queda, com destaque para a melancia (-29,96%), afetada pela baixa demanda. Batata e cebola também ficaram mais baratas; a cebola teve uma queda atípica de 11,01% graças a um aumento de 115% na oferta vinda de Santa Catarina.
- Exportações com maior valor agregado: O volume de frutas exportadas caiu 12% em comparação a janeiro de 2025, totalizando 98,44 milhões de toneladas. No entanto, o faturamento subiu 4,4% (US$ 112 milhões), indicando melhores preços médios no mercado internacional, especialmente na Ásia e Europa.
Com informações: AgrofyNews.





















