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Crédito rural à agroindústria salta 59%, mas investimento recua

Levantamento do Mapa aponta recuo de 5% no montante total da agricultura empresarial, refletindo cautela com juros e migração para fontes alternativas

Custo elevado das taxas de juros causou retração de 54% nas contratações do Moderfrota, programa focado na modernização da frota de tratores e colheitadeiras do país
Custo elevado das taxas de juros causou retração de 54% nas contratações do Moderfrota, programa focado na modernização da frota de tratores e colheitadeiras do país -

Publicado por Eduarda Gomes

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Os financiamentos voltados à agricultura empresarial movimentaram R$ 433 bilhões entre junho de 2025 e maio de 2026. O montante, que exclui as operações da agricultura familiar (Pronaf), representa uma queda de 5% na comparação com os R$ 458,1 bilhões contratados no mesmo período da safra anterior (2024/25). Os dados constam no Boletim de Desempenho do Crédito Rural, elaborado pelo Departamento de Financiamento (Defin) da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Apesar do recuo no volume geral, o setor registrou uma forte arrancada nos investimentos voltados à agroindustrialização, impulsionado pelas cooperativas. Os financiamentos destinados a essa finalidade saltaram 59,5%, subindo de R$ 19,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões. O segmento também foi o único a registrar aumento no número total de contratos firmados, registrando uma expansão de 17% no período.

Conforme dados divulgados pela CNN Brasil, as informações provisórias do balanço do agronegócio têm como base os registros do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), gerenciado pelo Banco Central do Brasil.

EXPANSÃO DAS CPRS E DO MÉDIO PRODUTOR

Outro pilar de sustentação do financiamento no campo foi a Cédula de Produto Rural (CPR). As contratações por meio desse título alcançaram R$ 185,2 bilhões, alta de 8% em relação ao ciclo anterior. Com o avanço, o mecanismo se consolidou como o principal instrumento de fomento para o custeio agrícola, respondendo por 42,8% do volume total. Juntas, as operações tradicionais de custeio e as baseadas em CPR atingiram R$ 322,7 bilhões, o que representa uma leve retração de 2,1% ante a safra passada.

O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) também se manteve em terreno positivo. A linha de crédito registrou um crescimento de 4,3% nas concessões de recursos, injetando R$ 56,4 bilhões nas propriedades de médio porte.

FONTES DE RECURSOS E QUEDA NO INVESTIMENTO

O mercado financeiro do agro passou por profundas reconfigurações no período analisado:

- LCA: A Letra de Crédito do Agronegócio registrou uma expansão histórica, saltando de R$ 927 milhões para R$ 28,8 bilhões, tornando-se a segunda principal fonte de captação do crédito rural.

- Poupança Rural: A LCA livre recuou 38%, mas o tombo foi compensado pela Poupança Rural Livre, que cresceu 49,5% e atingiu R$ 57,6 bilhões contratados.

- Recursos Equalizáveis: As linhas com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional somaram R$ 48,9 bilhões, restando 47% de saldo disponível. A queda nessa modalidade foi impulsionada pela alta das taxas de juros, maior seletividade dos bancos e por novas regras do Banco Central, que obrigaram cooperativas de crédito a cumprir exigibilidades de depósitos à vista, migrando suas operações de fonte.

A forte aversão ao risco devido ao custo do dinheiro travou a compra de maquinários e modernização. As linhas de investimento de longo prazo desabaram 28,1% no acumulado da safra. Os programas governamentais mais afetados pela retração na demanda foram o Proirriga (foco em irrigação, -56%), o Prodecoop (foco em cooperativas, -54%) e o Moderfrota (aquisição de tratores e colheitadeiras, -54%). De acordo com o Mapa, as instituições financeiras tornaram-se mais seletivas e fatores como instabilidade econômica global, inadimplência e riscos climáticos pesaram na decisão do produtor de frear novos aportes.

No recorte por regiões (desconsiderando os dados de CPR), o Sul do Brasil assumiu a liderança nacional tanto em movimentação financeira quanto em volume de contratos, somando R$ 74,2 bilhões em 131.109 operações. Na outra ponta, o Nordeste registrou o pior desempenho do país, com uma retração severa de 26% no valor captado em comparação com o mesmo período do ciclo passado.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Queda no volume geral: O crédito voltado à agricultura empresarial totalizou R$ 433 bilhões de junho de 2025 a maio de 2026, amargando uma redução de 5% provocada pela cautela do produtor diante do cenário macroeconômico e dos juros altos.

- Foco na industrialização e CPR: O destaque positivo ficou por conta dos recursos para industrialização, que saltaram 59,5% (R$ 31,5 bilhões), e a forte emissão de Cédulas de Produto Rural (CPRs), que cresceram 8% e se tornaram a principal ferramenta de custeio.

- Tombo nos investimentos em maquinário: Programas essenciais de modernização tecnológica e infraestrutura do campo, como Proirriga, Prodecoop e Moderfrota, registraram quedas severas superiores a 50%, refletindo o congelamento de investimentos de longo prazo.

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