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Tarifa de 37,5% dos EUA atinge R$ 33,6 bilhões em exportações do BR

Medidas protecionistas adicionais atingem 16,5% do total vendido ao mercado norte-americano, em meio à retratação no comércio bilateral entre os dois países

Aumento de tarifas sobre produtos brasileiros amplia ambiente de incerteza no comércio bilateral com os Estados Unidos
Aumento de tarifas sobre produtos brasileiros amplia ambiente de incerteza no comércio bilateral com os Estados Unidos -

Publicado por Eduarda Gomes

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As novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos vão atingir R$ 33,6 bilhões (US$ 6,6 bilhões) em produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano. As informações foram divulgadas na última sexta-feira (24) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). De acordo com a pasta, a sobretaxa acumulada de 37,5% alcança 16,5% das vendas do país para os EUA.

A elevação resulta da combinação de duas decisões de Washington: uma tarifa adicional de 25%, anunciada anteriormente pela gestão do presidente Donald Trump, e uma nova sobretaxa de 12,5%, divulgada na quinta-feira (23). Nos casos em que ambas incidem sobre o mesmo item, a alíquota total chega a 37,5%. Entre os produtos atingidos estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

IMPACTO E DISTRIBUIÇÃO DAS EXPORTAÇÕES

De acordo com o governo brasileiro, as novas medidas tarifárias alcançam, ao todo, 23,1% das exportações destinadas aos Estados Unidos. A distribuição do montante exportado se divide da seguinte forma:

De acordo com o governo brasileiro, as novas medidas tarifárias alcançam, ao todo, 23,1% das exportações destinadas aos Estados Unidos. Dentro dessa distribuição, 52,7% permanecem fora das novas sobretaxas, enquanto 24,2%continuam sujeitos a tarifas setoriais já existentes dos EUA impostas pela Seção 232.

Do montante restante, 16,5% recebem a tarifa acumulada de 37,5%, 4,7% são tributados apenas com a taxa de 12,5%, e 1,9% pagam somente a sobretaxa de 25%. Entre os itens que seguem isentos das novas sobretaxas estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido, grande parte da celulose e diversos produtos químicos.

As informações são da Agência Brasil e divulgadas pelo portal de notícias do Sistema Ocepar.

ENTENDA AS REGRAS

Grande parte das novas medidas foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos (Trade Act de 1974). O dispositivo autoriza o governo norte-americano a investigar práticas comerciais de outros países consideradas injustas ou prejudiciais aos seus interesses e impor retaliações, como tarifas adicionais sobre produtos importados.

No caso brasileiro, os EUA conduziram duas investigações sob esta norma: a primeira, específica contra o Brasil, resultou na sobretaxa adicional de 25% para determinados produtos, embora uma lista de exceções tenha sido ampliada na decisão final; a segunda abrangeu o combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos, aplicando tarifas de 10% ou 12,5% aos seus 60 principais parceiros comerciais, deixando o Brasil no grupo de 41 economias taxadas em 12,5%.

Quando um produto é enquadrado em ambas as investigações da Seção 301, as alíquotas de 25% e 12,5% se somam, totalizando 37,5% de tarifa total. As regras passaram a vigorar em julho de 2026, com exceção para mercadorias já embarcadas antes da entrada em vigor das novas regras e que chegaram aos EUA dentro do prazo estabelecido pelo governo norte-americano.

Já a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos Estados Unidos (Trade Expansion Act de 1962) possui o objetivo de restringir importações que representem risco à segurança nacional, aplicando tarifas a setores inteiros e a praticamente todos os parceiros comerciais, como ocorreu com o aço e o alumínio. Segundo o Mdic, os produtos sujeitos à Seção 232 não acumulam as novas sobretaxas da Seção 301.

CENÁRIO DO COMÉRCILO BILATERAL

O endurecimento das tarifas ocorre em meio à perda de ritmo do comércio entre as duas nações. Após alcançar o recorde de US$ 40,4 bilhões (R$ 206 bilhões) em exportações para os Estados Unidos em 2024, as vendas brasileiras recuaram para US$ 37,7 bilhões (R$ 192,2 bilhões) em 2025 e continuaram em queda ao longo de 2026.

No primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões (R$ 88,7 bilhões), registrando uma retração de 13% em comparação com igual período do ano passado, puxada principalmente pelos recuos no petróleo bruto (-30,4%) e nos produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%).

Como consequência desse cenário, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, enquanto na comparação anual a fatia norte-americana passou de 12% em 2024 para 10,8% em 2025. As importações brasileiras de produtos dos Estados Unidos também diminuíram no primeiro semestre, levando a uma retração de 12,8% na corrente de comércio bilateral.

Na avaliação do Mdic, o aumento das tarifas reforça o ambiente de incerteza no comércio entre Brasil e Estados Unidos, marcado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários por Washington e por mudanças frequentes nas condições de acesso ao mercado norte-americano. Apesar disso, 52,7% das exportações brasileiras permanecem fora das novas sobretaxas específicas da Seção 301, sujeitas apenas às tarifas ordinárias de importação dos Estados Unidos.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Sobretaxa máxima de 37,5%: Resulta da combinação de 25% (investigação específica contra o Brasil) e 12,5% (investigação global sobre trabalho forçado) com base na Seção 301, afetando US$ 6,6 bilhões (16,5%) das exportações brasileiras.

- Isenções e regras setoriais: A maior parte das exportações (52,7%) permanece livre das novas sobretaxas (como café, carnes e aeronaves), enquanto 24,2% continuam sob tarifas pré-existentes de segurança nacional (Seção 232), que não se acumulam com a Seção 301.

- Retração do comércio bilateral: As tarifas chegam em um momento de desaquecimento comercial, no qual as exportações brasileiras para os EUA caíram 13% no 1º semestre de 2026 (puxadas por quedas no petróleo e aço), reduzindo a fatia dos EUA nas vendas brasileiras para 9,4%.

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