‘O Pequeno Príncipe’ é rico em beleza e poesia

Admirar estrelas? Uma grave ameaça à produtividade econômica. Afinal, parar para olhar pontos brilhantes no céu é um estupendo exercício de ociosidade que compromete o rendimento de uma sociedade convidada a trabalhar feito louca, sem (ou muito pouco) espaço para a pausa. Assim pensa um dos personagens da versão de ‘O Pequeno Príncipe’ que chegou recentemente aos cinemas. Em razão disso, o personagem aprisiona as estrelas. Liberá-las é uma garantia da supremacia da criatividade e da sensibilidade em detrimento da frieza e da obsessão pelo material.
Esse é apenas um dos simbolismos trazidos pelo filme dirigido por Mark Osborne e baseado no clássico escrito pelo francês Antoine de Saint-Exupéry. Nesta leitura feita pelo cineasta, a história de amizade entre o aviador e o pequeno príncipe é narrada por um senhor a uma menina que leva uma vida radicalmente regrada pela mãe. Tão controlada que chega a comprometer a riqueza da infância.
“O problema não é crescer, é esquecer”. “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”. “Todas as pessoas grandes foram crianças um dia, mas poucas se lembram disso”. “Você se torna eternamente responsável por tudo o que cativa”. As frases clássicas, talvez desgastadas pelo uso intenso no decorrer das décadas, ganham força no contexto em que são expostas.
O diretor optou por usar duas técnicas. A história vinda do livro é mostrada em stop motion. A narrativa envolvendo a menina e o vizinho idoso foi construída em animação digital. A poesia que emana das palavras e do deleite visual faz com que ‘O Pequeno Príncipe’ seja uma explosão de encanto, algo que torna quase inevitável a comoção.





















