‘Mommy’ tem harmonia de forma e conteúdo | aRede
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‘Mommy’ tem harmonia de forma e conteúdo

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Tiago Bubniak

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Se o leitor gosta de drama, ‘Mommy’, do diretor canadense Xavier Dolan, é uma indicação que não desapontará. O adolescente Steve (Antoine Olivier Pilon) sempre foi de difícil comportamento. Logo após a morte do pai, no entanto, o quadro piorou consideravelmente e ele acabou sendo enviado a um reformatório pela mãe, Diane (Anne Dorval). O filme todo mostra o relacionamento tenso (e põe tenso nisso!) entre ambos. A história ganha complementações aqui e ali com a inserção de outros dois coadjuvantes: os vizinhos Kyla (Suzanne Clément) e Paul (Patrick Huard, do também canadense e excelente ‘Meus 533 Filhos’).

Os caminhos tortuosos dos protagonistas demonstram o quanto mãe e filho, apesar dos pesares, precisam um do outro: ele, para investir em uma recuperação; ela, para dar sentido à própria vida. Atores em interpretações viscerais (sobretudo a dupla de protagonistas, pela natural exigência de seus papéis) e uma trilha sonora pop agradável concedem um toque a mais de qualidade nessa obra que, inclusive, ousa na forma. O formato de tela adotado pelo diretor deixa o enquadramento quase que totalmente quadrado, passando a permanente ideia de opressão, sufocamento. Somente em momentos importantes e justificados da trama é que esse formato muda para o convencional.

‘Mommy, assim, revela-se um exercício no qual forma e conteúdo dão-se as mãos harmonicamente para conduzir o espectador a uma viagem bastante densa, é verdade, mas longe de ser vazia ou tediosa. Assim como no memorável ‘Meus 533 Filhos’, em ‘Mommy’ o cinema canadense demonstra rara sensibilidade para expor a condição humana sem cair no artificial.

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