Vínculos pessoais em tempos de internet

Jason Reitman roteirizando e dirigindo um filme sobre a forma como a internet diluiu-se na sociedade e revolucionou os relacionamentos? O fato torna ‘Homens, Mulheres e Filhos’ atraente logo de cara. Afinal, estamos diante de uma situação que une um tema atual a alguém que dirigiu trabalhos sensíveis e/ou irônicos como ‘Obrigado por Fumar’, ‘Juno’, ‘Jovens Adultos’, ‘Refém da Paixão’ e o excelente ‘Amor Sem Escalas’. O decepcionante, desta vez, é que a espera por algo promissor não se confirma.
O roteiro distribui na tela um leque consideravelmente diversificado de personagens e situações relacionadas à era on line. Existe o adolescente viciado em pornografia que, por envolver-se tão profundamente com a realidade virtual, tem dificuldades de relacionamento na vida real. O também adolescente que deixa o esporte de lado para mergulhar na “adrenalina” dos jogos virtuais. Casal entediado que busca na tela do computador oportunidades de traição para, quem sabe, trazer novo vigor à relação. Adolescente muito preocupada com imagem, fama e a quantidade de fãs que ganha no site que lançou para se promover. Mãe neurótica que exagera na segurança da filha a ponto de monitorar toda a sua atividade virtual e rastrear suas chamadas telefônicas. As histórias têm pontos de contato aqui e ali, mas, no geral, seguem paralelas.
Dessa miscelânea, Reitman consegue destilar algumas reflexões sobre futilidade, carências, invasão de privacidade, fragilidade, superficialidade e fluidez dos relacionamentos na contemporaneidade. No entanto, tudo é morno, do começo ao fim. A impressão é que estamos diante de fatos lançados para conceder uma visão geral do tema escolhido para ser trabalhado. E só. Não há grandes momentos, surpresas significativas, novidades de destaque. ‘Homens, Mulheres e Filhos’ é um acontecimento menor na filmografia de Jason Reitman. Poderia ser melhor. Mas sendo o diretor que é, Reitman não merece descrédito. Fica a expectativa para o próximo trabalho.





















