Refém da insistência

Adele (Kate Winslet) vive apenas com o filho, Henry (Gattlin Griffith), e nunca conseguiu sair da depressão após ter sido abandonada pelo marido. Enquanto Adele sofre em razão da ausência do esposo, Henry sente a falta do pai. Em uma ida ao mercado, são abordados, em circunstâncias incomuns, por Frank (Josh Brolin), que também está passando por circunstâncias incomuns. Frank é um detento que fugiu do hospital. Ferido, ele acaba entrando compulsoriamente na vida de Henry e Adele.
Diante da sinopse de ‘Refém da Paixão’, do diretor Jason Reitman, fica difícil não deduzir que Frank será uma alternativa para preencher as lacunas das vidas de Adele e Henry. Basicamente, o filme trata desse processo e é marcado por flashbacks para expor, gota a gota, a razão pela qual Frank foi preso.
Este novo trabalho do diretor de ‘Juno’ e ‘Amor Sem Escalas’ é uma transposição para as telonas do romance ‘Fim de verão’, de Joyce Maynard. Embora o resultado prenda a atenção, está pontuado por um defeito que o acompanha do começo ao fim: a insistência em criar suspense sobre a possibilidade de Frank ser detido a qualquer momento. Não raras vezes, o andar da história evoca falsidade, deixando evidente ao espectador que se trata de um roteiro montado.
Não soa natural a inserção de vários elementos com a intenção de aumentar o suspense: funcionária do banco que quer saber por que Henry não está na escola; policial que força carona; vendedor que se intromete a respeito das compras feitas no mercado e até com a cor de um simples barbeador.
Para sorver melhor a proposta de ‘Refém da Paixão’ é preciso ir além do suposto suspense policial e dos clichês (que já começam no título em português). Convém considerar o que a história traz sobre o fato de se viver no contexto de uma família desestruturada. Fora isso, o filme é apenas mediano, sem grandes emoções.





















