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Tiago Bubniak

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‘Terapia do Sexo’, do diretor Stuart Blumberg, reforça a lista daqueles filmes que, ao ganharem uma “tradução” para o português, perdem consideravelmente o sentido original. No caso específico, não se trata nem de tradução (eis a razão das aspas), mas de uma versão mesmo. O título original é ‘Thanks for Sharing’ (‘Obrigado por Compartilhar’). Ao investir em um chamariz mais apelativo, a distribuidora acabou deslizando para o reducionismo.

Quem julga o filme pelo título em português pode considerar que se trata de uma comédia pontilhada de relações sexuais e/ou piadas de cunho erótico. Engano. Para começar, nem é uma comédia. No máximo, uma comédia dramática. As situações beiram mais o dramático do que o cômico.

O que está em evidência nesta estreia de Stuart Blumberg na direção (ele que já foi corresponsável pelo roteiro de ‘Minhas Mães e Meu Pai’) é um desfile de personagens acometidos por compulsões de diversas naturezas (daí o reducionismo). O atrativo do filme está em ver como esses personagens se relacionam e tentam superar suas fraquezas, passando por um trajeto tortuoso e nada fácil, mas nem por isso desprovido de esperança. No cerne está a noção do quanto é importante avançar em grupo (daí a abrangência do título original).

A dificuldade de relacionamento entre pai e filho também aparece no roteiro, esse assunto que tanto tem pontuado o cinema atual. Ao buscar o autocrontole sobre o alcoolismo e devotar tempo ao grupo de apoio, Mike (Tim Robbins) acaba esquecendo que tem em casa (em casa?) alguém que requer atenção especial: o próprio filho, Danny, interpretado por Patrick Fugit.

O que fica é um filme contemporâneo, que retrata uma realidade facilitada pela era touch screen, na qual alguns poucos toques em uma tela abrem caminho para o êxtase sexual. Mas, como já mencionado, os enfoques vão além disso. O título do filme em terras brasileiras, enfim, evidencia o quanto rotular pode esconder (e deturpar) o conteúdo.

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