BRDE quer financiar mais de R$ 110 milhões na região

Fundado em 1961, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) contribui, há décadas, com o desenvolvimento da região dos Campos Gerais. Atuando como um banco de fomento, somente em 2014 foram financiados R$ 110,5 milhões para os municípios da região, através de 71 contratos assinados – no Paraná o montante liberado foi de R$ 950 milhões. Entre 2012 e 2014, o repasse foi de R$ 345,6 milhões na região, sendo pouco mais de R$ 50 milhões apenas para Ponta Grossa. Desse montante, cerca de 70% dos aportes foram para o setor do agronegócio, onde há grande parceria com as cooperativas, e na sequência, se destacam os investimentos industriais.
Para 2015, o objetivo é expandir essa cessão de crédito, segundo o diretor administrativo Orlando Pessuti, que esteve na semana passada no município, em evento na Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) para ampliar as parcerias com a entidade e apresentar os serviços aos associados. “Estamos vindo aqui para aumentar tudo isso, para financiar mais. Queremos que esses projetos de boas intenções prosperem, queremos gerar emprego, renda, tributos. Queremos o bem-estar dos Campos Gerais e o BRDE quer ser parceiro, já que o BRDE é um banco de fomento, em que a visão não é o lucro, o resultado financeiro, mas proporcionar desenvolvimento”, disse Pessuti, em visita à redação do Jornal da Manhã.
O Superintendente para o Estado do Paraná e Mato Grosso do Sul, Paulo Cesar Starke Junior, que também esteve no JM, revela que a maior parte dos financiamentos é para produtores rurais, que buscam o banco diretamente, para investimentos superiores a R$ 200 mil em suas propriedades. “Na região de Ponta Grossa, tem muitos produtores de pequeno, médio e grande porte. Então a maior parte deles faz o aporte direto com o banco”, informa. Para produtores menores, que buscam créditos a partir de R$ 50 mil, obtém o recurso por intermédio do Sicredi. Já para investimentos na área urbana, por exemplo, (como no comércio e no setor de serviços; além de investimentos menores nas indústrias) quem faz a intermediação é o Sicoob.
Para ilustrar, Starke revela que o BRDE atua, na indústria, para a aquisição de maquinários, ampliações, modernização, inovação, layout, entre outros; e em modernização e ampliação de empresas do setor de serviços e do comércio, como padarias, açougues, oficinas, entre outros. Já no setor agrícola, em melhorias na infraestrutura, na suinocultura e no segmento leiteiro; no setor de armazenagem, melhorias estruturais, cercas, equipamentos, entre outros. O custeio de produção não é feito. “Outra coisa interessante de Ponta Grossa é que alguns hotéis, assim como estacionamentos na parte central têm projetos de investimento. A Santa Casa, por exemplo, é cliente: várias melhorias, como a nova área de hemodiálise, foi o BRDE que financiou”, explica o executivo.
Taxa de juros varia de 7 a 12% ao ano
Orlando Pessuti enumera diversos benefícios do BRDE em relação aos bancos privados. “São linhas de crédito que têm carência maior que tradicionalmente outros bancos tem. O prazo de financiamento é maior, por conta dos tipos de operação e recursos que aplica – o retorno do investimento é mais demorado, então o prazo é alinhado – e as taxas de juros são menores”, esclarece. Starke lembra que há aportes que podem ser financiados em até 20 anos (240 meses), e que os juros variam de 7% a 12% ao ano. Em relação ao outro banco público do Estado, o Fomento Paraná (lembrando que o BRDE foi criado pelos governos dos três Estados do Sul do país, e é um operador do BNDES.) o BRDE se diferencia por trabalhar com linhas de crédito maiores, a partir de R$ 50 mil, enquanto que o Fomento trabalha com créditos de até R$ 300 mil; além de o BRDE atuar mais com público privado maior (o Fomento mais com carteira pública). Outro diferencial é do BRDE atuar mais na indústria e no agronegócio, enquanto que o fomento atua mais no comércio e setor de serviços.
Momento de ‘crise’ eleva participação do BRDE no mercado
O cenário de estagnação econômica no país gera receios de investimentos por parte de empresários. Diante do cenário de incertezas, bancos privados reduzem a atuação, e, com isso, os bancos públicos expandem suas atuações, segundo Pessuti. “O BRDE, por ser banco de investimento, atua no contraciclo. Enquanto os comerciais freiam, automaticamente somos mais demandados. Muitos empresários pensam que na hora da crise é a hora de se investir”, diz Starke. “É criada uma pressão sobre o governo. Ao diminui emprego e receita, diminui a arrecadação, e enforca mais o governo. Então normalmente o governo faz o aporte de recursos, e os bancos de fomento continuam fazendo o contraponto”, completa Pessuti.
Informações do Jornal da Manhã.





















