Anderson Silva, a canela 'de vidro' e a política brasileira

Confesso! Quase tive um piripaque do Chaves quando vi Anderson Silva fraturar dois ossos da perna como se fossem feitos de Maria Mole. Também ensaiei sorrisos ao ver montagens e piadas maldosas feitas por 'antigos fãs' do MMA. Depois disso, fui tomado por um leve desconforto vendo pessoas falarem tanta bobagem sobre o Spider e causei algumas discussões na minha página pessoal no Facebook. Até aí tudo bem, tudo normal!
Mas a minha surpresa aumentou ao ver um deputado propondo que a exibição de lutas de MMA na TV brasileira fosse proibida. Desse fato aparecem duas conclusões possíveis: o político brasileiro é oportunista e, ao mesmo tempo, tem uma cultura e visão de mundo um tanto limitada, para não dizer limitadíssima.
Ao ver o homem que foi elevado à ícone brasileiro nos últimos anos ter a perna despedaçada em rede nacional (mesmo que com aqueles 30 minutinhos de atraso) 0 deputado federal José Mentor (PT-SP) não deve ter pensado duas vezes: em época que só falamos de política para comentar sobre a dificuldade dos governantes em fechar as contas, proibir o MMA na TV seria uma sacada de gênio.
Isso ilustra o oportunismo do parlamentar - não se iluda, políticos são oportunistas o tempo todo e, quando um acidente vira sensação na internet, na TV na Mídia e até em Marte, o oportunismo é elevado à níveis estratosféricos. O petista afirma que o MMA não é um esporte, mas sim que MMA "é agressão".
O deputado está certo: o MMA não é um esporte, mas sim a união de vários esportes (olímpicos ou não) e diversas artes marciais. Se o deputado crê que todo esporte que possa levar a fraturas e lesões deva ser proibido na TV (aberta ou a cabo), convido o senhor José Mentor (nome sugestivo, não?) a começar uma cruzada contra o Futebol - esse tradicional esporte tupiniquim e suas várias lesões expostas que passam domingo sim, domingo não, na sala da minha casa.
José Mentor foi oportunista e, querendo ou não, reproduziu um discurso falastrão em meio a enxurrada de besteiras veiculadas no Facebook e em outros paraísos digitais. Caso o deputado mude de ideia, convido-o a pisar em um tatame e conhecer um pouco da essência de uma arte marcial, seja ela qual for.
Como um orgulhoso faixa azul de Jiu Jistu, convido José Mentor a entender o que motiva seres humanos a levarem seus corpos, mentes e almas ao máximo e aprenderem lições sobre honra, humildade e disciplina - tudo isso com o indivíduo no limite, bem próximo das situações que nossas 'vidas reais' nos levam.
Não preciso nem entrar no mérito de que temos coisas mais urgentes para 'resolver', não é mesmo, deputado? Gostaria que o senhor também se importasse dessa maneira com o crescente avanço do crack em regiões periféricas do país, por exemplo. Se políticos brasileiros levassem alguns ensinamentos das artes marciais para as ações cotidianas, nossa vida de cidadãos seria melhor, bem melhor.





















