Áreas ferroviárias devem preservar identidade, afirma conselheiro de História de PG
Niltonci Chaves, diretor do Museu Campos Gerais (MCG), defende que espaços em que os trechos inativos serão cedidos não podem se tornar "genéricos", mas sim, reforço da identidade ferroviária da região

O conselheiro da área de História do Grupo aRede, Niltonci Batista Chaves, avalia que a cessão dos trechos ferroviários inativos aos municípios representa um marco na redefinição da paisagem urbana dos Campos Gerais. O historiador ressalta que a requalificação desses espaços é importante, mas defende que os projetos conciliem novos usos, como parques e ciclovias, com a preservação da memória ferroviária.
Assista abaixo à opinião de Niltonci, que é historiador, doutor em Educação, professor, presidente da Associação dos Museus da Região dos Campos Gerais e diretor do Museu Campos Gerais (MCG):
"A cessão dos trechos ferroviários aos municípios é um marco na redefinição da paisagem urbana dos Campos Gerais. Como historiador, cabe aqui lembrar que Ponta Grossa se consolidou como entroncamento ferroviário de toda a Região Sul desde o início do século XX. Esses trilhos trouxeram progresso e, sobretudo, promoveram um processo de integração regional que foi fundamental para o desenvolvimento de todos os Campos Gerais.
Mas, com o passar do tempo e o crescimento urbano, as ferrovias, que antes conectavam, passaram a segregar bairros e regiões, cristalizando uma espécie de urbanismo de exclusão. Esse movimento dos prefeitos toca no cerne de uma dívida histórica com o desenvolvimento das cidades da nossa região.
Projetos como o do Jardim Botânico, nas Oficinas da Rede, aqui em Ponta Grossa, ou a restauração de estações para fins culturais, efetivamente sinalizam a superação de um momento, de uma era.
Contudo, entendo que a requalificação urbana não pode apagar a memória do trabalho que ergueu Ponta Grossa, por exemplo. O desafio é conciliar ciclovias, parques e novos espaços públicos com a preservação da nossa identidade, que está profundamente vinculada à presença das ferrovias e dos ferroviários.
Não podemos permitir que esses espaços se tornem genéricos. Isso seria um erro fatal. Eles precisam continuar contando a nossa história".
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