Sling – Uma maneira de carregar o bebê com respeito e amorosidade | aRede
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Sling – Uma maneira de carregar o bebê com respeito e amorosidade

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Todos os pais já passaram pelo desconforto de descer uma escada ou driblar as mesas de um restaurante enquanto levavam seu bebê em um carrinho. A boa notícia é que existe uma alternativa mais fácil e amorosa de se carregar um bebê - o sling. Para muitos, aqui no Brasil, ver alguém utilizando o sling pode ser novidade, mas o carregador de bebês é tão antigo, que sequer sabemos sua idade ou origem. Muitos dizem que desde a pré-história as mães utilizavam peles de animais para carregar os seus bebês no colo. Nas mais diversas tribos ao redor do mundo é comum ver mulheres carregando seus bebês desta maneira.

Muitas vezes é em outros países que percebemos como o carregador é tão interessante. Foi em uma viagem ao Peru, por exemplo, que Géssica Schoenemayer descobriu o sling. A proprietária da empresa Mamacha, que produz bens para crianças, conta que ficou admirada com a maneira como as mães carregavam as crianças em seus mantos, descendo as montanhas, indo trabalhar e realizando várias outras atividades de forma muito natural. Assim que teve sua filha, Géssica comprou um sling e gostou tanto da experiência, que resolveu abrir o próprio negócio focando nesses carregadores.

Ela lembra que existem vários modelos de carregadores de bebês: “para escolher o melhor para seu bebê, o ideal é primeiramente prestar atenção na qualidade do material. As argolas devem ser em alumínio, ou nylon injetado, sem soldas e emendas. Verifique a costura do tecido que precisa ser bem reforçada. É importante sempre estar atenta com a respiração do bebê e não deixar o rostinho coberto. O queixo do bebê não pode estar encostado no peito, desta forma as vias respiratórias ficam obstruídas. O sling deve ser ajustado de forma correta, para que a mãe e o bebê se sintam confortáveis”.

Existem várias amarrações que permitem à mãe encontrar a melhor posição para o si e para o seu bebê. A amarração em “X” que fica nas costas da mãe, faz descarga proporcional de peso em ambos os ombros, sendo assim, o limite de peso do bebê/criança, pode ir além dos 20kg (dependendo do modelo), enquanto os cangurus comuns vão, no máximo, até 13kg.

De acordo com a fisioterapeuta Daiane Martins Ronchi, não existem contraindicações para o uso. "O bebê, porém, não deve ser posicionado no sling de costas para a mãe. Esta posição é antifisiológica independente da idade do bebê, pelas seguintes razões: a coluna da criança fica estendida fazendo um arco; as pernas ficam penduradas, o apoio fica na genitália e não nos glúteos, e ainda exige uma força na região cervical que os bebês que ainda não adquiriram controle de cabeça não possuem. O bebê, assim que nasce, tem uma postura chamada de ‘padrão flexor’, ou seja, permanece com os membros inferiores flexionados em direção ao corpo e levemente rodados para fora. Ao ser posicionado no sling de frente para o corpo da mãe, na posição de sapinho, ele permanecerá dentro deste padrão, garantindo que sua coluna, quadril, joelhos e tornozelos permaneçam no padrão flexor fisiológico”, comenta.

Outra adepta do sling é a enfermeira obstétrica e parteira Adelita Gonzalez. Ela sempre recomenda o este tipo de carregador como via saudável para a mãe, a família e o bebê: “Seus benefícios não são apenas físicos mas também emocionais, psicológicos e práticos. A espécie humana é das que mesmo após o nascimento ainda necessita de muitos cuidados. Os bebês passam por um longo período de adaptação ao ambiente externo, quando comparados a outros mamíferos. Este processo de adaptação quanto mais suave e sem estresse for, mais fortalecido, seguro e preparado para os desafios do meio ambiente estará o individuo. Um dos exemplos seria a posição do bebê: suas estruturas anatômicas estão moldadas ao ambiente uterino e ao nascer o ambiente muda completamente. Para a criança há a sensação de perda de referência de espaço e até mesmo desconforto físico. Assim, o uso do sling intercalado com posições mais ‘livres’ tornam a transição mais tranquila e confortável. Estar perto ou sentir movimentos, sons e vibrações que lhe foram familiares durante 40 semanas, por exemplo, também geram sensação de acolhimento e conforto.”

Apesar de ser tão simples - praticamente uma faixa de tecido - é preciso todo um cuidado para confeccionar um carregador seguro e confortável. Quando temos um sling perfeito em mãos, a lista de benefícios só aumenta:

- Reduz as cólicas fisiológicas comuns nos primeiros meses de vida, pois aquece a região abdominal, juntamente com a postura flexionada dos membros inferiores, favorecendo a eliminação dos gazes

- Reduz os sintomas de refluxo gastroesofágico pela posição vertical, favorecendo a descida do leite e o fechamento da válvula localizada no hiato, assim evitando que o leite volte

- Sustenta a cabeça e o tronco do bebê que ainda não tem controle

- Não faz descarga de peso na genitália, pois mantém o peso do corpo sobre os glúteos e não na púbis (diferente do canguru)

- Evita que a mãe mude seu centro de gravidade quando está com o bebê no colo, pois distribui o peso do bebê nos dois ombros igualmente e deixa os braços livres

- Permite que a mãe amamente em locais públicos com mais discrição

- O bebê dorme com mais facilidade

- O sling respeita a evolução neuropsicomotora e sensorial do bebê

- O cuidador pode realizar suas atividades diárias e ao mesmo tempo estar com o bebê no colo

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