Agro brasileiro perde espaço nas exportações aos EUA com tarifas
Levantamento da Amcham Brasil revela queda de 34,8% nos embarques de café e contração de 9,4% na celulose; fatia americana no comércio exterior do país cai ao menor nível desde 1997

O agronegócio e a indústria brasileira enfrentaram um cenário de forte retração nas trocas comerciais com os Estados Unidos na primeira metade de 2026. Dados inéditos do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil e divulgados pela CNN Brasil, revelam que a participação do mercado norte-americano nas exportações totais do Brasil encolheu para apenas 9,4%. Este é o menor percentual registrado para um primeiro semestre desde o início da série histórica do indicador, iniciada em 1997.
Entre janeiro e junho, o comércio bilateral movimentou US$ 36,4 bilhões (R$ 187,2 bilhões), um tombo de 12,8% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. O recuo foi puxado pelas exportações brasileiras aos EUA, que despencaram 13% (somando US$ 17,4 bilhões / R$ 89,5 bilhões), enquanto as importações vindas da potência norte-americana recuaram 12,5% (totalizando US$ 19 bilhões / R$ 97,7 bilhões).
O desempenho negativo caminha na contramão do fluxo global do país. No mesmo período, as exportações totais do Brasil para o mundo cresceram 11,5%, impulsionadas pelo apetite da China (+21,9%) e da União Europeia (+12,8%).
BARREIRAS ALFANDEGÁRIAS
A retração comercial está diretamente associada ao endurecimento de barreiras tarifárias impostas por Washington. Conforme o levantamento da Amcham, os produtos brasileiros submetidos a sobretaxas sofreram um recuo de 16,6% nos embarques semestrais. Em contrapartida, os itens livres de tarifas adicionais registraram uma queda menor, de 8,7%.
Dentro do agronegócio, os impactos foram severos para produtos de alta relevância na pauta bilateral:
- Café não torrado: As exportações brasileiras para os EUA desabaram 34,8% na comparação anual.
- Celulose: Outro pilar das vendas externas do setor registrou uma retração de 9,4% no período.
Além do campo, a indústria pesada sofreu fortes baixas decorrentes das taxações extras. Os embarques de caminhões despencaram 46,7%, seguidos por produtos de madeira (-40,5%), cobre (-37,4%) e produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%).
"O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, alerta Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
CENÁRIO DE JUNHO
Apesar do balanço semestral negativo, o mês de junho interrompeu uma sequência de dez meses consecutivos de quedas consecutivas e registrou uma discreta reação de 3,7% nas exportações brasileiras para os EUA em relação a junho de 2025.
Contudo, a melhora não alcançou os setores taxados. O crescimento foi totalmente sustentado pelos produtos livres de sobretaxas, que saltaram 35,8% no mês, impulsionados pelas vendas de aeronaves e óleos combustíveis de petróleo. Já os produtos afetados pelas tarifas adicionais mantiveram a tendência de isolamento e caíram mais 17% em junho.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Mínima Histórica: A participação dos EUA nas exportações do Brasil caiu para 9,4% no primeiro semestre de 2026, a menor taxa em 29 anos, resultando em um encolhimento de 12,8% no comércio entre os dois países (US$ 36,4 bilhões).
- Barreiras no Agronegócio: Pressionados pelo aumento de tarifas e restrições americanas, embarques de produtos agrícolas estratégicos para o mercado norte-americano sofreram perdas duras, com destaque para a queda de 34,8% no café não torrado.
- Respiro em Junho: Após quase um ano de quedas mensais, as vendas aos EUA subiram 3,7% em junho, puxadas estritamente por setores não tarifados, como a exportação de aviões e combustíveis, enquanto os produtos sobretaxados recuaram 17%.





















