Temporais com granizo atingem lavouras nos Campos Gerais
Boletim do Deral aponta que tempestades severas causaram estragos pontuais em estruturas e lavouras na região

O período entre os dias 1 e 6 de julho foi marcado por fortes contrastes climáticos e dinâmicas distintas para o agronegócio no Paraná. O relatório semanal de Condições de Tempo e Cultivo, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) nesta terça-feira (07), revelou que a instabilidade climática trouxe desafios severos para os produtores da região dos Campos Gerais.
Enquanto o Sudoeste, Oeste e Sul do estado concentraram volumes expressivos de chuva, os Campos Gerais enfrentaram a ocorrência de tempestades severas pontuais, acompanhadas de ventos fortes e queda de granizo. O clima adverso resultou em danos materiais e impactos diretos no campo.
PREJUÍZOS NA HORTICULTURA E FRUTICULTURA
Os temporais e o granizo desestabilizaram o ritmo regular da produção em pontos isolados dos Campos Gerais. Na horticultura, os eventos climáticos severos provocaram estragos significativos, resultando na destruição de estruturas de cultivo protegido (estufas), danos severos a lavouras de tomate e perdas em canteiros a céu aberto.
A fruticultura regional também absorveu impactos operacionais. O manejo dos pomares vinha dinâmico com as podas de frutificação de espécies de folhas caducas (como pêssego e ameixa) e a colheita regular de citros e uvas. Contudo, a força dos ventos e o granizo causaram danos materiais e a derrubada de árvores, afetando a estrutura produtiva de algumas propriedades.
Nas demais culturas de inverno da região, o monitoramento segue atento. O trigo (que no estado tem 99% das áreas em desenvolvimento vegetativo) e a cevada (com 95% em desenvolvimento vegetativo) registram boas condições gerais de umidade no solo para a evolução inicial, mas as intempéries climáticas pontuais já causaram o acamamento (quando as plantas são tombadas pelo vento ou chuva) em áreas mais jovens no estado.
OUTRAS CULTURAS
Para além das fronteiras dos Campos Gerais, o Deral traçou um cenário heterogêneo para as principais commodities do estado. A situação é crítica para o feijão de 2º safra nas regiões Oeste e Sudoeste. A colheita avança em ritmo lento e enfrenta sérios prejuízos qualitativos devido ao excesso prolongado de chuvas durante a maturação.
O boletim do Deral aponta perda total em lavouras mais tardias atingidas por granizo. No fechamento do relatório, 100% da área estimada já se encontrava na fase de maturação.
A colheita do milho safrinha vive duas realidades. No Norte e Noroeste, o predomínio do sol permitiu o avanço gradual das colheitadeiras nas áreas em maturação (61% do total no estado). Já no Oeste e Sudoeste, a umidade ambiental diária paralisou os trabalhos, gerando forte preocupação com o brotamento na planta, espigas abertas e incidência de grãos ardidos.
Impulsionada pelo tempo firme e boa insolação no Norte e Noroeste, a colheita do café avança de maneira progressiva, beneficiando também o processo de secagem dos grãos nos terreiros. Toda a área produtiva do estado (100%) atingiu a fase de maturação.
A partir do fim de semana, a chegada de uma nova frente fria pelas frentes Oeste e Sudoeste trouxe o retorno de chuvas generalizadas e abriu caminho para um declínio acentuado nas temperaturas em todo o território paranaense, mantendo o setor em estado de atenção.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Impacto Climático nos Campos Gerais: A região foi atingida por tempestades severas pontuais com granizo e ventos fortes entre 1 e 6 de julho, causando a destruição de estufas, perdas em lavouras de tomate, danos em pomares e acamamento de plantas jovens de trigo.
- Dualidade no Milho e Café: O clima seco favoreceu o avanço seguro da colheita de café e milho nas regiões Norte e Noroeste, enquanto o excesso de chuva paralisou as colheitadeiras de milho e feijão no Sudoeste e Oeste, ameaçando a qualidade final dos grãos.
- Retração no Trigo: Apesar de as lavouras paranaenses de trigo apresentarem 98% de condições boas, o relatório do Deral destacou que algumas localidades registraram retração expressiva ou ausência de cultivo nesta temporada devido à baixa rentabilidade e aos altos riscos climáticos.





















