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Receita com exportação de suco de laranja caiu 30% na safra 25/26

Apesar do volume de embarques fechar o ciclo estável em 746,9 mil toneladas, o faturamento brasileiro recuou para US$ 2,38 bilhões

Embarques do setor mantiveram regularidade em volume, mas compressão de preços internacionais derrubou a rentabilidade das indústrias cítricas
Embarques do setor mantiveram regularidade em volume, mas compressão de preços internacionais derrubou a rentabilidade das indústrias cítricas -

Publicado por Eduarda Gomes

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As exportações brasileiras de suco de laranja encerraram a safra 2025/2026 com uma forte divergência entre os volumes movimentados e o faturamento real. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) e publicados pelo Globo Rural, apontam que o país embarcou 746,9 mil toneladas do produto, o que representa uma estabilidade quase total (+0,2%) frente ao ciclo anterior.

Em contrapartida, a receita gerada pelas vendas externas despencou para US$ 2,38 bilhões (R$ 12,245 bilhões) na temporada. O resultado financeiro significa uma perda de aproximadamente 30% quando comparado aos US$ 3,42 bilhões (R$ 17,596 bilhões) faturados na safra 2024/2025.

De acordo com a CitrusBR, a forte queda no faturamento é reflexo de uma retração na demanda global. Os preços excessivamente altos praticados em anos anteriores forçaram o consumidor final a buscar alternativas mais baratas nas gôndolas. Além disso, problemas de qualidade causados por intempéries climáticas e pela forte incidência de greening (doença bacteriana que destrói os pomares de citros) na temporada passada também afetaram o valor de mercado do suco brasileiro.

ESTADOS UNIDOS VIRAM O PRINCIPAL DESTINO

A safra 2025/2026 consolidou uma importante mudança geopolítica no comércio da citricultura. Os Estados Unidos mantiveram ritmo de crescimento e absorveram 355,8 mil toneladas de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ equivalente), alta de 16,3% em relação às 305,8 mil toneladas do ciclo passado.

Com isso, os americanos passaram a responder por quase 48% do volume exportado pelo Brasil, tornando-se o principal mercado comprador individual. Em receita, contudo, o faturamento para o destino caiu 20,6%, somando US$ 1,08 bilhão (R$ 5,556 bilhões) devido à pressão internacional sobre as cotações.

Paralelamente, a Europa, que historicamente ocupava o topo das compras, viu sua demanda recuar 10,9%, caindo de 376,5 mil para 335,2 mil toneladas. Combinando a redução nas compras com o desconto nos preços, a receita gerada pelo bloco europeu desabou 38%, fechando em US$ 1,11 bilhão (R$ 5,711 bilhões). A participação europeia no total exportado pelo Brasil encolheu de 50% para cerca de 45%.

DESEMPENHO NA ÁSIA

No mercado asiático, os dois principais compradores do Brasil registraram comportamentos completamente opostos ao longo da temporada:

- China: Registrou crescimento de 26% em volume, saltando de 20,1 mil para 25,5 mil toneladas. A receita destinada ao país asiático subiu de forma tímida (+1%), alcançando US$ 70,3 milhões (R$ 361,7 milhões).

- Japão: Apresentou o pior desempenho entre os principais parceiros comerciais da safra. O volume de suco de laranja brasileiro internalizado pelos japoneses caiu 28,6% (indo de 20,1 mil para 14,3 mil toneladas), enquanto a receita despencou 45,9%, totalizando US$ 58,9 milhões (R$ 303 milhões), punida por um severo desconto nos preços locais.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Tombo no Faturamento: A receita com as exportações de suco de laranja brasileiras encolheu US$ 1,04 bilhão na safra 2025/2026, fechando com queda de 30% (US$ 2,38 bilhões) puxada pela retração no consumo internacional.

- Consumidor Buscou Alternativas: O volume de embarques seguiu estável em 746,9 mil toneladas (+0,2%), mas os altos preços anteriores, somados a gargalos de qualidade decorrentes do clima e do greening, minaram o valor pago pela tonelada.

- Nova Hegemonia Americana: Os EUA aumentaram suas compras em 16,3% e assumiram a liderança isolada dos destinos do suco nacional (48% de participação), ultrapassando a União Europeia, que reduziu sua fatia de mercado para 45%.

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