Financiamento privado do agronegócio se mantém em R$ 1,4 trilhão em março
Instrumentos como CPR e LCA apresentaram leve recuo mensal, mas mantêm crescimento robusto na comparação anual; mercado de capitais consolida-se como pilar do setor

O financiamento privado do agronegócio brasileiro manteve-se no patamar de R$ 1,4 trilhão em março de 2026, apresentando uma leve acomodação em relação ao mês anterior. Segundo o Boletim de Finanças Privadas do Agro, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o cenário indica uma estabilização após períodos de forte expansão, influenciada pelo ambiente de juros elevados e restrições fiscais no crédito subsidiado.
Apesar da oscilação negativa na margem mensal, os indicadores anuais revelam uma mudança estrutural na forma como o setor se financia. A Cédula de Produto Rural (CPR), por exemplo, cresceu 17% em relação a março de 2025 e impressionantes 72% frente a 2024, consolidando-se como o principal instrumento do mercado privado. As informações são da CNN Brasil.
DESEMPENHO DOS PRINCIPAIS TÍTULOS
O boletim detalha que os principais mecanismos de captação perderam força pontual entre fevereiro e março. A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) recuou de R$ 588,21 bilhões para R$ 583,36 bilhões. Já a CPR passou de R$ 561,35 bilhões para R$ 560,19 bilhões.
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) também registraram leve queda (R$ 176,43 bilhões), enquanto os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) foram a exceção, subindo marginalmente para R$ 32,34 bilhões. Outro destaque positivo são os Fiagros, que seguem em expansão com alta de 29% em doze meses, alcançando um patrimônio de R$ 56,98 bilhões em fevereiro.
PERFIL OPERACIONAL E APLICAÇÃO
A CPR atingiu a marca de 402 mil operações, com um tíquete médio de R$ 1,39 milhão por contrato. No caso das LCAs, o Mapa ressalta que R$ 350,01 bilhões estão direcionados ao financiamento rural da safra atual, cumprindo a exigência de aplicação mínima de 60% das captações bancárias no setor.
O Ministério adverte, porém, que o valor total de R$ 1,4 trilhão não deve ser lido como um montante líquido absoluto. Isso ocorre devido à sobreposição de instrumentos, já que títulos como a CPR são frequentemente utilizados como lastro para a emissão de outros papéis, o que pode gerar casos de dupla contagem no volume agregado.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Estabilização do Crédito: O financiamento privado encerrou março em R$ 1,4 trilhão, com leves quedas mensais em CPR, LCA e CRA.
- Crescimento Anual: Mesmo com o recuo mensal, a CPR acumula alta de 72% em dois anos, refletindo a migração do crédito oficial para o privado.
- Papel dos Fiagros: Os fundos de investimento agroindustriais cresceram 29% em um ano, ajudando a sustentar o elevado patamar de recursos disponíveis.





















