Fábrica em PG assume papel estratégico diante de crise global de fertilizantes
Unidade paranaense da Yara é um dos três centros fabris no Brasil que garantirá formulações complexas para a safra 2026/27, enquanto guerras ameaçam 33,8 milhões de toneladas de insumos no mundo

A unidade da Yara em Ponta Grossa (PR) assume um papel estratégico no planejamento do agronegócio brasileiro diante de um cenário de severa instabilidade internacional. De acordo com Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil, a planta de Ponta Grossa é um dos três centros fabris mantidos pela empresa no país, ao lado de Cubatão (SP) e Rio Grande (RS), que serão responsáveis pelacomposição dos fertilizantes de formulação mais complexa destinados à safra 2026/27.
O fortalecimento da produção local em unidades como a de Ponta Grossa ocorre em um momento em que a soma dos conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia coloca em risco um volume de 33,8 milhões de toneladas de fertilizantes básicos. Este montante é idêntico ao consumo total de fertilizantes do Brasil em um ano.
CRISE LOGÍSTICA E O ESTREITO DE ORMUZ
O alerta de Altieri destaca que 15 milhões de toneladas de insumos sob risco provêm do Oriente Médio, situação agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz (entre Irã e Omã). Até a última quarta-feira (15), cerca de 4 mil navios estavam represados no local, que é o coração do fornecimento de nitrogenados, como a ureia e a amônia, além do enxofre.
Mesmo com uma eventual abertura do Estreito nos próximos dias, a projeção é que a logística mundial demore a se estabilizar. Os navios que se encontram atualmente em portos brasileiros partiram do Oriente Médio e da Ásia antes do agravamento da guerra no Irã. A preocupação imediata reside nos atrasos das embarcações que ainda não conseguiram zarpar devido ao bloqueio.
DESAFIOS ECONÔMICOS E RELAÇÃO DE TROCA
Para o agricultor, o cenário reflete diretamente no aumento de custos. A relação de troca piorou significativamente. Em 2022, comprava-se uma tonelada de ureia com 60 sacas de milho. Agora, são necessárias 135 sacas para adquirir a mesma quantidade.
O risco é considerado alto porque os insumos para a safra de verão precisam ser distribuídos no Brasil nos próximos 90 dias. As informações são da CNN Brasil.
A Rússia, peça central do mercado, controla 40% do comércio de nitrato de amônio e responde por 15% da fabricação global. Dos volumes russos em risco (18,8 milhões de toneladas), destacam-se 9,6 milhões de toneladas de amônia e 6 milhões de toneladas de nitrato, componentes essenciais do pacote NPK.
GARANTIA DE FORNECIMENTO
Apesar do panorama crítico, a Yara assegurou que cumprirá os contratos de fornecimento já estabelecidos. A empresa conta com a capilaridade de suas plantas em outras regiões, como Estados Unidos e Canadá, para sustentar a operação e mitigar os gargalos logísticos, enquanto suas fábricas nacionais, incluindo a de Ponta Grossa, asseguram a entrega de produtos com tecnologia agregada e formulações específicas para o solo brasileiro.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Atuação em Ponta Grossa: A unidade é um dos três pilares da Yara no Brasil para a produção de fórmulas complexas de fertilizantes para a safra 2026/27.
- Ameaça Logística: O bloqueio do Estreito de Ormuz e as guerras na Rússia/Ucrânia afetam 33,8 milhões de toneladas de adubos, o equivalente à demanda anual brasileira.
- Poder de Compra: O custo do fertilizante para o produtor mais que dobrou em relação ao milho, exigindo 135 sacas por tonelada de ureia.





















