'Agro é o coração da economia no Paraná', avalia Ratinho Junior
Governador do Paraná destaca protagonismo dos Campos Gerais e do Centro-Sul na produção agroindustrial, no cooperativismo e nos investimentos em infraestrutura rural

O agronegócio paranaense consolidou o Estado como uma das principais potências produtivas do Brasil, posição que, segundo o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), passa diretamente pela força econômica dos Campos Gerais e da região Centro-Sul.
Em entrevista ao Grupo aRede, Ratinho Junior destacou o protagonismo regional na produção de leite, papel e celulose, cereais de inverno e agroindústria, além do peso do cooperativismo e dos investimentos estaduais em infraestrutura, energia, conectividade e segurança no campo.
Para o governador, o Paraná deixou de ser apenas exportador de commodities e passou a agregar valor à própria produção, transformando o Estado em um “supermercado do mundo”.
AREDE: Qual é a relevância dos Campos Gerais e da região Centro-Sul no contexto estadual do agro?
RATINHO JUNIOR: “O agronegócio é a espinha dorsal da economia paranaense. Quando olhamos para os Campos Gerais e para a região Centro-Sul, vemos um polo estratégico que responde por 16% do Valor Bruto de Produção (VBP) agropecuária de todo o Paraná.
Essa é uma área que domina setores-chave da nossa produção, como a silvicultura, os cereais de inverno e a horticultura de clima temperado. São regiões que ajudaram a transformar o Paraná em um modelo nacional de eficiência no campo — produzindo mais, com mais valor agregado e respeito ao meio ambiente.”
AREDE: Quais segmentos e produtos mais se destacam nessas regiões?
RATINHO JUNIOR: “Os Campos Gerais e o Centro-Sul formam um verdadeiro cinturão de excelência agrícola e industrial. Na silvicultura, por exemplo, as duas regiões concentram 63% de toda a produção de papel e celulose do Paraná. Também lideram na produção de resina, serrarias e laminadoras.
Nos cereais de inverno, são imbatíveis: produzem 76% da cevada paranaense, 23% do trigo e mais de 40% da aveia. No campo da horticultura, destacam-se pela produção de batata inglesa, cebola e pinhão, além de serem grandes produtoras de erva-mate.
E temos também a força da pecuária. As regiões somadas produzem 37% do leite do Paraná, o que reforça o protagonismo de cidades como Castro, que é a Capital Nacional do Leite, e Carambeí, segunda maior produtora do país.”
AREDE: A que o governador atribui essa força regional do agronegócio?
RATINHO JUNIOR: “Essa força vem de uma combinação de fatores: tradição, tecnologia, cooperativismo e industrialização. Quando a matéria-prima é processada onde é colhida, o valor agregado fica no estado, gerando mais empregos, mais arrecadação e mais oportunidades para os jovens.
O Paraná têm um ciclo industrial muito bem estruturado, que envolve desde a produção rural até a transformação final, com grandes empresas e cooperativas. Isso garante mais recursos para os municípios, estabilidade econômica e fixação da população no interior.
O resultado é um modelo de agroindústria que protege o produtor e fortalece a economia regional. Hoje, o Paraná é a 4ª maior economia do Brasil justamente porque soube unir campo e indústria.”
AREDE: Por que a industrialização local da produção é estratégica para o Paraná?
RATINHO JUNIOR: “O Paraná deixou de ser apenas um exportador de commodities e passou a ser um exportador de tecnologia e de produtos com marca e valor agregado. Esse é o segredo do nosso crescimento sustentável.
Quando o grão vira ração, o frango vira alimento processado e o leite vira produto industrializado, estamos multiplicando a renda do produtor e a arrecadação do Estado. Essa é a nossa política de longo prazo: gerar riqueza a partir do que produzimos, dentro do próprio território.
Dentro desse contexto, eventos são vitrines do nosso agronegócio. A Agroleite, por exemplo, já movimenta mais de um bilhão de reais, e cresce a cada edição. Ali nascem parcerias, são lançadas tecnologias e definidas estratégias para o futuro do campo.
AREDE: Qual é o papel do cooperativismo no desenvolvimento regional?
RATINHO JUNIOR: “O cooperativismo é o DNA do Paraná. Nós temos um dos sistemas mais robustos do país, com mais de 4,5 milhões de cooperados e 154 mil empregos diretos. E isso não se limita ao agro: abrange crédito, saúde e serviços.
As cooperativas são fundamentais porque unem eficiência econômica e desenvolvimento social. O sucesso econômico do Paraná, inclusive o crescimento acima da média nacional do PIB, tem muito a ver com essa parceria sólida entre o Estado e o cooperativismo.”
AREDE: Quais são os desafios da transformação digital no campo?
RATINHO JUNIOR: “O maior desafio é garantir conectividade para todos. Muitos equipamentos modernos já estão disponíveis, mas ainda faltava internet no campo. Por isso criamos o programa Paraná Conectado, que leva fibra óptica e 4G para áreas rurais.
Estamos ampliando o acesso à internet e subsidiando provedores locais para que o sinal chegue onde o investimento privado não chega. Isso vai permitir que o produtor emita notas fiscais eletrônicas, use aplicativos de gestão e opere maquinários com precisão.”
AREDE: Quais investimentos o Governo do Estado tem realizado para fortalecer o agronegócio nos Campos Gerais?
RATINHO JUNIOR: “Só em 2025, executamos mais de R$ 44 milhões em convênios com os municípios dos Campos Gerais e formalizamos outros R$ 187 milhões em novos projetos, a maioria voltados à melhoria de estradas rurais.
Criamos programas que conectam as propriedades rurais à rede trifásica e subsidiam parte dos juros dos financiamentos para instalação. Já implantamos 25 mil quilômetros de nova rede, o maior investimento da América Latina em infraestrutura energética rural, sendo 2 mil quilômetros só nos Campos Gerais.
A Copel também investiu R$ 2,7 bilhões em 2025 na modernização da rede e na construção de subestações em municípios como Piraí do Sul, Ponta Grossa, Arapoti e Palmeira, garantindo estabilidade e segurança para o crescimento da agroindústria.
Na área da segurança, fortalecemos as ações no meio rural por meio da Patrulha Rural Comunitária, da Polícia Militar, que atua em parceria direta com os produtores. Entre 2022 e 2025, os resultados foram expressivos: redução de 50% nos roubos, quase 40% nos furtos e quase 60% nos casos de abigeato”.
AREDE: Qual é a visão do governador para o futuro do agronegócio regional?
RATINHO JUNIOR: “O futuro é promissor. O Paraná está consolidado como exemplo de eficiência e sustentabilidade. Produzimos alimentos com tecnologia, agregamos valor, criamos empregos qualificados e estamos prontos para alimentar o Brasil e o mundo.
A discussão global nas próximas décadas será sobre segurança alimentar, e o Paraná é protagonista nesse debate. Nosso papel é continuar investindo em conectividade, energia, infraestrutura e formação técnica.
Como eu sempre digo: o campo é o coração da nossa economia, e o produtor rural é o herói silencioso que faz o Paraná ser o que é hoje: um estado moderno, competitivo e que dá orgulho de viver.”
Anuário 'Caminhos do Paraná'
Este conteúdo integra a 17ª edição do anuário do Grupo aRede, intitulado "Caminhos do Paraná", cujo tema central é "A Força do Agro". A publicação mudou o nome de "Caminhos dos Campos Gerais" para "Caminhos do Paraná", expandindo o foco para todo o estado. Com mais de 200 páginas, esta é a maior edição da história do projeto editorial. O livro detalha a força do agronegócio paranaense, abordando tecnologia, sustentabilidade e cooperativismo diante de centenas de lideranças regionais.





















