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O que você está fazendo com o seu presente?

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Tiago Bubniak

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Debruçar-se sobre o relacionamento das pessoas com o tempo é oportunidade para ver nascer múltiplas reflexões. Há multidões tentando desesperadamente encaixar incontáveis compromissos (profissionais ou pessoais) em escassos minutos que insistem em se extinguir. Há seres humanos frustrados diante da impossibilidade de retornar ao passado e refazer algo que julgam, no presente, ser capazes de executar melhor. Existe a consciência de que, a cada hora a menos, um passo a mais é dado em direção à finitude terrena.

Acompanhar ao filme ‘Questão de Tempo’, do diretor Richard Curtis, é um convite para o “debruçar-se” que abre este texto. Roteirista de ‘Quatro Casamentos e um Funeral’, ‘O Diário de Bridget Jones’, ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’ e ‘Simplesmente Amor’, Curtis é amigo da simplicidade e, dela (ou com ela), retira lições instigantes.

No caso de ‘Questão de Tempo’, as lentes do diretor se voltam para o jovem tímido e romântico Tim (Domhnall Gleeson) que, ao completar 21 anos, recebe do pai (Bill Nighy) a notícia de que os homens da família têm o poder de viajar no tempo. Basta encontrar um lugar escuro, ficar de mãos fechadas e solicitar à memória em que lugar do passado se deseja estar. Detalhe: não é possível ir para o futuro, apenas retroceder.

Tim faz uso desse poder para arrumar uma namorada e quem cruza seu caminho é Mary (Rachel McAdams). Com o auxílio do dom especial, o protagonista investe pesado na possibilidade de consertar aquilo que julga desastroso; não, é claro, sem consequências. A premissa da viagem no tempo não é nenhuma novidade no cinema, mas Curtis consegue um resultado simpático.

A trilha sonora embeleza a narrativa, o humor é reservado (exceto em uma cena envolvendo temporal) e o drama é exibido no momento certo na medida adequada. A não ser pelo recurso fantástico das viagens ao passado, não espere soluções e situações extraordinárias. O que está em evidência é o cotidiano e sua permanente condição de ser oportunidade para uma vida feliz. Pelo menos, na medida do possível.

Tiago Luiz Bubniak

tiagoluizb@ig.com.br

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