Buenos Aires e uma vaca que caiu do céu | aRede
PUBLICIDADE

Buenos Aires e uma vaca que caiu do céu

Imagem ilustrativa da imagem Buenos Aires e uma vaca que caiu do céu
-

Tiago Bubniak

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Estamos em Buenos Aires. Mas o início do filme é sobre uma vaca que caiu do céu. E na China. Nonsense? Pois ao acompanhar ‘Um Conto Chinês’ você verá o quanto o roteiro consegue inserir lógica nessa história que se apresenta como inspirada em fatos reais e é dirigida pelo argentino Sebastián Borensztein.

A trama traz o sempre muito bom Ricardo Darín no papel do ermitão, metódico e ranzinza Roberto, dono de uma pequena loja de ferragens. A única fresta a que ele se dá o direito de abrir para ter um pouco mais de ar e luz em sua imperiosa rotina tediosa é o hábito de colecionar recortes de histórias bizarras em jornais. Até que um dia, ele próprio fará parte de uma.

Roberto está mental e sentimentalmente engessado, fixo à ideia de que no espaço onde mora só cabe uma pessoa: ele próprio. Essa construção de vida começa a sofrer uma série de rachaduras quando um chinês (Ignácio Huang) é lançado de um táxi diante dele. Um não fala nada de espanhol; o outro, nada de chinês. Está estabelecida uma cômica incomunicabilidade verbal. O relacionamento só não é completamente nulo porque existe um mínimo entendimento por meio de gestos.

E essa mútua compreensão, por menor que seja, será de extrema utilidade, já que Roberto não consegue despachar o estrangeiro. Nem delegacia, embaixada ou comunidade chinesa em Buenos Aires são capazes de ajudar, pelo menos de imediato, o argentino rabugento. Dessa forma, ele precisa aprender a conviver com mais um debaixo do próprio teto até que uma solução seja encontrada. Simultaneamente, é alvo de sutis investidas de Mari (Muriel Santa Ana), que também arquiteta tentativas de desmoronar as estruturas de misantropia de Roberto.

Nesse desfilar de situações, vemos que o protagonista argentino acaba sendo um bom retrato do sentido dúbio do que é ser humano. Ele é “humano” porque cheio de defeitos, mas, também, porque sua consciência o arrasta para a solidariedade.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right