Sensibilidade uruguaia | aRede
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Sensibilidade uruguaia

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Tiago Bubniak

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Costumo insistir que o Oscar é muito mais um megaevento em nome da indústria do que da arte, mas que, quando um trabalho recebe a indicação para concorrer a melhor filme estrangeiro, é bom prestar atenção. É o caso de ‘Sr. Kaplan’, representante do Uruguai na edição do prêmio em 2015. O uruguaio perdeu para o polonês ‘Ida’, de Pawel Pawlikowski, mas tem em comum com o vencedor o enfoque do nazismo, ferida aberta da História sobre a qual o cinema adora colocar o dedo. E com razão. Ao contrário da densidade de ‘Ida’, no entanto, aqui a narrativa é recheada de humor.

O filme do diretor Álvaro Brechner lança sua atenção sobre o judeu Jacobo Kaplan (Héctor Noguera). Com mais de 70 anos, o protagonista está naquela fase da vida em que se sente deslocado, inútil, improdutivo. Já no início da narração ele faz mil reflexões sobre o que, de fato, realizou de importante em sua trajetória. O sentimento de impotência fica ainda mais doloroso quando Jacobo é considerado inapto para dirigir.

A chance de fazer algo grandioso para si e para a própria humanidade surge quando ele passa a investigar um alemão suspeito de matar judeus nos campos de concentração. Uma reportagem na TV sobre uma organização nazista infiltrada na América Latina “transforma” Jacobo em “detetive”. Ele, então, firma parceria com Wilson Contreras (Néstor Guzzini), ex-policial com problemas familiares e um passado marcado por caminhos tortos. O humor vem do fato de o espectador ser constantemente chamado a duvidar da competência da dupla para realizar tarefa tão exigente.

Assim está construída a base para uma história envolvente, cômica e emocionante que aborda três situações complementares: 1) embate entre judaísmo e nazismo; 2) angústias da velhice; 3) singeleza da amizade entre dois homens feridos que, em  meio a trapalhadas e momentos sinceros de companheirismo, encontram apoio para prosseguir. ‘Sr. Kaplan’ é, enfim, um filme respeitável, que chega a lembrar ‘Nebraska’, de Alexander Payne, e, mais timidamente, ‘Amor’, de Michael Haneke.

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