Narração convencional não ofusca grandeza de ‘A Teoria de Tudo’

‘A Teoria de Tudo’, de James Marsh, é um filme convencional. A cinebiografia do físico britânico Stephen Hawking (majestosamente interpretado por Eddie Redmayne), flui de modo constante, o começo, o meio e o fim estão bem definidos, a ordem cronológica prevalece. Salvo nos minutos finais, pontuados por um recurso significativa e belamente relacionado com o relato, não existem grandes invenções capazes de fazer o espectador afirmar que a narração, em si, foge de padrões claramente estabelecidos.
Isso, então, quer dizer que ‘A Teoria de Tudo’ é um filme ruim? De forma alguma. O caráter convencional da narração está longe de ofuscar a grandeza do conteúdo, marcado pela sutileza na apresentação das emoções (e elas são muitas) e o mergulho de Redmayne na composição do papel principal. Trata-se de uma das mais fortes entregas de um ator à encarnação do personagem (que levou Redmayne, inclusive, a ganhar o famigerado Oscar 2015).
Parte do mérito do filme deve-se à força do próprio protagonista. Gênio da física, Hawking viu as chances de concretizar seu futuro brilhante serem comprometidas quando, aos 21 anos, foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA). Os médicos deram a ele mais alguns meses de vida, mas, em janeiro, o cientista completou 73 anos. Bom humor é uma das características que o acompanham, bem como a harmonia nos relacionamentos. Ateu, ele se casa com uma religiosa e, em certa etapa, é auxiliado por um religioso viúvo que se aproxima da família.
A história é baseada no livro ‘Travelling to Infinity: My Life with Stephen’, de autoria de Jane Hawking (interpretada por Felicity Jones), a primeira esposa do físico. O que se vê na tela é uma típica (e intensa) história de superação, comovente por si mesma e potencializada pelo talento do elenco.





















