O horror do nazismo em preto e branco | aRede
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O horror do nazismo em preto e branco

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Tiago Bubniak

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Poucos dias antes de professar os votos como religiosa, Ida (Agata Trzebuchowska) é chamada por sua superiora. Por insistência da madre, ela sai do convento em busca de uma tia, aquela que seria sua última parente viva. O encontro com Wanda (Agata Kulesza), a tia, é ponto de partida para que a noviça descubra detalhes sobre seu próprio passado, detalhes que envolvem acontecimentos com seus pais e o fato de ela própria ser judia.

Com base nessa premissa e usando uma fotografia em preto e branco, o diretor polonês Pawel Pawlikowski faz um relato dos horrores do nazismo que só aparecem nas entrelinhas, da mesma forma como acontece, por exemplo, em ‘O Menino do Pijama Listrado’. Mas se no filme de Mark Herman o absurdo está entrelaçado com a poesia que emana da inocência infantil, em ‘Ida’ existe somente o horror, marcado por silêncios, contemplação e sugestões.

E isso não é ruim. Pawlikowski entrega um filme hermético para muitos, é verdade, mas soberbo em sua proposta de narrar o quanto uma guerra e seus artífices podem estraçalhar destinos. “Viajando” um pouco mais na análise é possível dizer que o farto investimento em enquadramentos que privilegiam espaços vazios convidam o espectador a preencher o relato com o que está além do evidente, do explícito.

Uma das relações mais claras na história é a dicotomia sagrado/profano, representada pela contraposição de posturas de Ida e Wanda. Enquanto a sobrinha busca manter-se fiel à sua vocação, mesmo distante do ambiente da clausura, a tia leva uma vida consideravelmente mundana e repleta de provocações à noviça. Não raras vezes, Wanda chega a tentar verbalmente a sobrinha, com frases como “Seu Jesus não se fechou numa caverna com livros, mas se jogou no mundo” ou “Esse seu Jesus adorava pessoas como eu: Maria Madalena, por exemplo”.

O desfecho dessa relação de estilos de vida distintos é outro ponto forte do filme que, além de ser bom, é uma experiência e tanto para os cinéfilos que querem ter uma leve noção do que a Polônia, afinal, tem a oferecer quando o assunto é sétima arte.

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